sábado, 24 de março de 2007

Um diálogo estranho e dois casos de ônibus

Diálogo estranho:

Minha professora de inglês: milagre não foi você quem ganhou o sorteio do St. Patrick's Day.
Eu (achando super-estranho, porque conheci essa professora em fevereiro e, desde então, só ganhei aquela viagem para ver Coldplay e NÃO contei a ela): ah, pois é...
Minha professora de inglês: é que a Fulana me falou que você sempre ganha tudo.
Eu: que Fulana?
Minha professora de inglês: A Fulana. Loira, com o cabelo aqui assim...
Eu: não lembro quem é a Fulana.

A questão é: minha fama de quem ganha tudo se espalhou de tal forma que até quem eu não conheço comenta. Ah, eu nem ganho tudo. Uma pessoa da minha família ganhou uma viagem para o Rio, para ver o show do Roger Waters. E não fui eu.

Caso de ônibus 1:

Aconteceu com a amiga da mãe da amiga da minha irmã (sacou?):

A mulher estava num ponto de ônibus lotado. Quando o ônibus que ela pegaria se aproximou, ela notou que todas as pessoas que ali estavam também o pegaria. Quando a porta do ônibus abriu, deu-se início aquele empurra-empurra típico. Nisso, a personagem central deste caso percebeu uma criança ali no meio daquele caos. O pobre menininho se espremia por entre aquelas pernas enormes e ninguém tinha um pouco de compaixão. Muito bondosa, a mulher levantou a criança e foi levando-a até a roleta. Eis que ela percebe caras estranhas ao seu redor. Todos pareciam rir, inclusive a suposta criança que virou-se para ela e revelou-se um anão! Reproduzindo as palavras de quem me contou a história: "a mulher ficou tão assustada que deu um grito e TACOU o anão no chão". Muito bizarro! Podem rir, o próprio anão se divertiu a valer.

Essa história me lembrou do...

Caso de ônibus 2:

Aconteceu com uma grande amiga minha, de cabelo vermelho. Mas não vou revelar o nome para preservar sua imagem de distinta jornalista:

Depois de mais um dia de expediente, minha amiga entrou no bom e velho 1107, para voltar para sua casa. Ao contrário do ônibus do caso anterior, este estava vazio. Havia pouquíssimas pessoas ali, além dela, do motorista e de alguns trocadores - todos uniformizados - que provavelmente estavam voltando para a garagem da empresa. Ao ver aquela grande oferta de trocadores, minha amiga ficou indecisa sobre para quem entregaria o dinheiro da passagem. Antes de se decidir, porém, notou ao seu lado uma jovem senhora, trajando um casaquinho de lã. Esta jovem senhora, lhe estendeu a mão sorrindo (com uma carinha bem estranha, devo dizer). Muito complacente, minha amiga pensou. "Coitadinha, é doidinha e quer brincar". E pegou na mão dela e começou a fazer carinho. Nisso, ela viu brotar, por baixo do casaquinho de lã, uma gola igual a da camisa dos trocadores. Sim, a mulher não era uma doidinha carente. Era a cobradora querendo o dinheiro da passagem.
Eu tenho pra mim que essa mulher ficou achando que a minha amiga era a doidinha querendo carinho.