quarta-feira, 9 de maio de 2007

Como ando sem inspiração, sem tempo e sem um monte de outras coisas, e não pretendo abandonar este blog, nem qualquer outra coisa, postarei, esporadicamente, uns textinhos que escrevi e não ganharam destino senão minha pasta no meu computador. Vou começar com este que escrevi há uns três meses e hoje me soa como ironia (sabe aquelas do destino?).

O quê eu aprendi com os relacionamentos anteriores?


Essa pergunta do Orkut me intriga. Não é simples como responder “O quê você encontra no meu quarto”. Eu poderia escrever vários tratados sobre o tema. Não que eu tenho aprendido muita coisa, mas pela importância do que eu aprendi. Na prática, ninguém me ensinou porra nenhuma. Pôxa, teria sido tão útil se eu tivesse me relacionado com alguém que me ensinasse a cozinhar, a andar no centro de BH sem me perder, a falar outro idioma, a tocar algum instrumento musical, cítara indiana, sei lá. Isso ninguém me ensinou. Desconfio de que seja porque ninguém sabia. Mas, sabe, eu aprendi uma coisa que vou levar para a vida toda: existe uma diferença abismal entre amar e achar que ama. Exemplifico com meu caso mais crítico, de quando eu mais achei que estava amando. Na verdade, eu tinha certeza. Era um trem de doido. Queria casar na Basílica de Lourdes, mudar de cidade, largar a faculdade, ficar prenha. De preferência, tudo ao mesmo tempo. Mas acabou. A situação era complexa e, mesmo eu tendo a certeza de que era amor, eu concordava que, ao menos naquele momento, um fim era necessário. O que não me poupou de sentir a maior dor da minha vida. Foram dias difíceis aqueles. Cada palavra que foi dita entrava como um golpe. Eu sentia as pernas ficarem bambas, as mãos suavam frio e o estômago gelava (mas era daquele frio na barriga ruim). Não era pra menos: eu acreditava, piamanente, estar perdendo o amor da minha vida. E o amor da vida da gente é só um. Pense que grave: apenas vinte anos e condenada a passar a vida inteira sozinha (pois é, era assim que eu pensava). Depois eu passei por fases. Teve a fase de não ouvir música, ver filme ou novela – porque qualquer menção ao sentimento que eu supostamente havia perdido para todo o sempre era motivo de lágrimas. Teve a fase da “última vez”. Eu vestia uma roupa e pensava “a última vez que eu usei eu estava com ele”. Eu ia ao shopping e pensava “a última vez que eu estive aqui eu estava com ele”. Um inferno. Teve a fase do querer ser amiga. Não que eu precisasse da amizade dele – amigos eu tenho dos bons, graças a Deus – mas só pela necessidade de não perder de vista. Tudo muito ruim. Péssimo, horrível. Ruim elevado à milionésima potência. Até que um dia (uma dia mesmo, não é licença poética, figura de linguagem, nem nada) eu acordei e – como quem recebe um sopro divino – matei a charada. Eu não tava amando porcaria nenhuma, eu só achava que estava amando. Este momento é demais, só quem já viveu sabe. Um êxtase. Parecem que te tiram uma venda dos olhos. Você se olha no espelho e pensa: eu jamais amaria alguém que quando fica nervoso desafina a voz; alguém mimado que faz birra como se tivesse cinco anos de idade; alguém que quer que você seja namorada, mãe, irmã, avó, tudo; alguém que se acha o dono da verdade; alguém teimoso, inflexível e até preconceituoso. Definitivamente, não era com aquilo que eu sempre havia sonhado. Esse descobrimento vem seguido de uma certa raivinha, um pouco de nojo, sei lá. Até virar indiferença. De repente, aquela pessoa que você achava ser a melhor entre todas as outras sete bilhões de pessoas na face da Terra é tão importante na sua vida quanto um chinês que trabalha numa padaria no centro de Pequim. Você escreve sobre o assunto com o mesmo desprendimento com o qual você escreve seus releases. Você não se lembra mais dele como antes, nem quando você vê aquele grupo na TV que veio de lá, da mesma terra dele. Nem quando sua amiga te conta que também conheceu um cara que tinha espinha na bunda, nem quando o time dele joga contra o seu, nem quase nunca.
Hoje eu sei como foi importante para mim viver tudo isso e, se eu tivesse o poder de apagar essas lembranças da minha vida (tipo Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) eu não o faria. Os relacionamentos que vieram depois disso, não me reservaram sofrimento. Porque eu já sabia que amor não é assim. Não me pergunte o que é. Isso eu também não sei. Sei só o que não é.