domingo, 14 de outubro de 2007

Aquele em que a Fernanda apela

O meu guarda-roupas é uma zona. Tentei arrumá-lo essa semana - essas coisas que a gente só faz quando está de férias. Tirei umas três sacolas de papéis absolutamente dispensáveis. E, veja bem, eu olho para ele agora e nem parece que eu arrumei. Mas, quer saber? Eu não me importo. É na minha desorganização que eu me encontro e essa é a desorganização que eu me permito. Porque eu me dou ao direito de ser desorganizada. Mas somente até onde a minha bagunça só possa prejudicar à minha própria vida. Naquilo que possa envolver terceiros, sou doente de tão organizada, de tão comprometida. Eu me esforço para não deixar ninguém me esperando, para não incomodar, para não parecer inconveniente. Eu respeito os horários alheios e sempre chego pontualmente na hora marcada. Não porque eu ache que vida precisa de regras, que o mundo deveria ser mais metódico ou coisas do tipo. Mas porque eu parto do princípio de que cumprir com os acordos estabelecidos com os outros (dos mais idiotas aos mais importantes) é, antes de tudo, um ato de respeito e consideração pelas pessoas. O FODA é conviver com quem é absolutamente diferente de mim. Sim, eu sei. Somos 7 bilhões de grãos de areia completamente diferentes uns dos outros, e eu exercito minha tolerância a fim de conviver bem com as diferenças dos que me cercam. E acho que consigo. Graças a Deus tenho muitos amigos, uma família que me adora e nenhum desafeto. Mas até as pessoas boazinhas, como eu, têm seu limite.
Cara de boba? Eu certamente tenho. Mas é só a cara. Se falo pouco, não é por falta do que dizer, é porque estou calada, atenta ao que está sendo dito. Nada me passa despercebido. Sou um arquivo vivo. Uma bomba-relógio. Faz tempo que venho assistindo atos de desrespeito, descompromisso e irresponsabilidade. Mas eu não podia fazer nada. Não era comigo. Mas agora é.

A sensação que tenho é a de que estou num barco que está naufragando. Mas, sem a perspectiva de um bote salva vidas, eu vinha me agarrando à proa com todas as minhas forças. Mas eu me cansei. Tô pulando fora. E sem o menor peso na consciência se, por ventura, alguém cair comigo.


p.s.: desculpa se ninguém entendeu nada. Mas eu precisava. Se eu não escrever, eu explodo. E quem explode, fica em pedaços.
p.p.s.: vou viajar terça. Então, é provável que eu só volte depois da viagem. Hasta la vista, babies.




VOU SER FELIZ E JÁ VOLTO!