segunda-feira, 31 de março de 2008

Confesso que...

Definitivamente não sou uma pessoa de natureza conciliatória. Ao menos sentimentalmente falando. Dia desses, numa daquelas conversas sobre os amores e desamores da vida, ouvi minha amiga Flávia* dizer "eu ainda amo fulano, mas eu tenho essa capacidade de gostar de outros, sabe?". Pois é, eu sei. Mas eu não tenho essa capacidade, embora adoraria ter. Sou uma pessoa metódica, meu coração entrou nesse ritmo e, mesmo sendo libriana (os indecisos natos), dessa dúvido eu não padeço. Me apaixono por um de cada vez e ponto.

Com a raiva é a mesma coisa. É bizarro, eu sei. Mas eu não consigo sentir raiva de duas pessoas ao mesmo tempo. Exemplo: estou possessa de raiva porque fulano (o meu fulano, não o fulano supracitado) não atende minhas ligações. Aí, vou à padaria, para relaxar, e a moça do caixa demora 27 minutos para trocar meu dinheiro. Pronto. Fulano (o meu) vira um santo naqueles 27 minutos, tamanha a raiva que estou sentindo da moça da padaria.

Diante disso, uma pessoa de coração puro e visão lúdica pode dizer: "Mas que bom que você é assim. Afinal, você nunca está sentindo raiva do mundo inteiro e nem terá conflitos amorosos ou envolvimento em relações adúlteras".

Sim, é maravilhoso. E seria mais maravilhoso ainda se fosse só isso. O ponto onde eu quero chegar (e que, na verdade, é a essência deste post e meu grande conflito**) é que, eu não sou de natureza conciliatória, mas sou de natureza substituitiva. Ou seja, eu só deixo de ter raiva ou de estar apaixonada por alguém quando eu arrumo outros focos para depositar minha raiva/paixão (no final das contas é tudo a mesma merda). Nisso, lá se vão anos e anos de paixões fugazes e raivas avassaladoras. Paixões e raivas que nunca convivem mas - isso eu acho o pior de tudo - às vezes se revezam. Paixões e raivas que nunca convivem entre si - mas convivem umas com as outras. Não raramente o alvo de uma é o mesmo alvo da outra.

Ai, ai...seria muito lindo e divertido se eu estivesse na sexta série, no auge dos meus doze anos de idade. É complicado ser eu. Mas é fácil ser quem?

* O nome da amiga foi substituído para preservar sua imagem....rs
** Não é, na verdade, um grande conflito, mas eu quis escrever assim porque com drama é sempre mais legal.