terça-feira, 25 de março de 2008

Querido Clube Atlético Mineiro,

hoje você faz 100 anos. Isso significa que quando você tinha lá seus 75 eu nasci. Também nasci num dia 25, como você. Mas foi de setembro. Meu pai - que me chamaria
de Reinaldo (em homenagem, adivinha a quem?) caso eu fosse homem - me enrolou num manto alvi-negro para que eu saísse assim da maternidade. Foi uma forma que ele encontrou para dizer ao mundo e, principalmente, a mim mesma que nascia ali mais uma cidadã atleticana. Portanto, não tive muito escolha. Antes de me avisarem que eu me chamava Fernanda - acho que até antes de me avisarem que eu era gente - me avisaram que eu seria atleticana para todo o sempre. Injusto! Eu queria ter tido a chance de escolher. Já não pude escolher meu nome, nem meus padrinhos. Vão escolher também meu time? Então eu cresci. E descobri que eu não poderia mudar de nome, nem de padrinhos. Mas de time eu poderia, a hora que eu quisesse.

No dia em que eu nasci, haviam outros bebês na maternidade. Mas o manto alvi-negro escolheu me abraçar. No dia em que eu pude escolher um time, tive dezenas deles à minha frente - alguns com muito mais títulos, outros muito mais famosos, outros mais "globais". E o que eu foi que eu fiz? Escolhi você mesmo, Clube Atlético Mineiro.

Ser atleticana é sintomático da minha personalidade. Uma pessoa que vive bascicamente de paixões. Eu escolhi ser jornalista, eu vivo gostando de quem não tá nem aí pra mim, então, por que cargas d'água eu seria uma sãopaulina que ganha título todo ano? Minhas paixões são as difíceis, são as dramáticas. Minhas paixões são do tipo que cai para a segunda divisão e volta para a primeira, não porque tem um time de estrelas, mas porque tem uma torcida louca, que ama enlouquecidemante seu time. Galoucura.

É por essa paixão bandida, por esse amor que não morre nem cansa que eu tenho um baita orgulho de ser sua fiel torcedora (é algo semelhante com o orgulho que tenho de ser brasileira). É um amor que conhece todos os podres e ama assim mesmo.

Enfim, meu Galo Doido, vi uma homenagem na TV para você hoje e fiquei emocionada. Chorei. Deu vontade de escrever. Parabéns pelo centenário e obrigada por dar mais emoção às nossas vidas. Porque com isso até os cruzeirenses hão de convir: ser atleticano é adrenalina pura.

E isso eu quero para mim sempre. Uma vez até morrer.


Fernanda


p.s.: na foto, nós dois em 1985. Na época em que meu pai ainda não aceitava bem que eu era a Fernanda, e não o Reinaldo.