domingo, 13 de abril de 2008

Antes que o dia termine...



No início era tudo muito mais simples. A gente tinha menos problemas, mais tempo. Aos 11 anos de idade, preocupação só se fosse com a corrida rústica (rá!) ou com as maratonas de matemática - muita preocupação, aliás, já que nenhuma das duas nunca foi dada a esse negócio de números. Mas tudo bem, era o professor mais bonito do colégio e isso compensava. Entre uma dúvida e outra a gente conjecturava sobre como ele - tão lindo, na opinião dela - pudesse ser casado com uma mulher tão...varizenta ( = cheia de varizes). Alegria era por qualquer motivo. Pôster do Jon Bon Jovi ou do Leonardo di Caprio nas bancas já nos fazia ganhar o dia. Planos? Nem tantos. E eles nem tinham obrigação de dar certo. Mas davam. Ganhamos TODAS as promoções que quisemos. A gente sempre teve uma estrela, isso é verdade. Motivo para ter um novo amor? Ele ser bonitinho. Motivo para deixar de ser um amor? Ele sair do colégio. Tudo simples demais.

Até a vida começar a degringolar e a gente entrar num processo irreversível, vertiginoso e assustadoramente real chamado vida adulta. Agora nada é simples. Pagar conta não simples, trabalhar não é simples, brigar com a mãe não é simples, se apaixonar não é simples. Mas agora, paradoxalmente, é tudo melhor que antes. Porque antes a gente estava ali convivendo, meio que por força das circunstâncias. Não existia - conscientemente - a menor noção de que aquilo que nos fazia partilhar dos mesmos dramas e euforias era o maior sentimento do mundo. Amizade. A gente não não sabia que éramos a melhor amiga uma da outra. E muito menos que seria para sempre. Agora a gente sabe. E a certeza faz tudo ficar melhor.

Outro dia vi uma cena, em Gilmore Girls, que me lembrou da gente:

Gilmore Girls - 3ª temporada
Rory caminha pela cidade ao lado de sua melhor amiga, Lane, quando avistam o novo carro de Jess. Algum tempo antes, Jess havia batido e destruído o carro de Rory.

Lane diz: O Jess? O caro que acabou com seu carro agora tem um carro novo?
Rory diz: Parece que sim...
Lane diz: Isso é ridículo, uma ofensa...
Rory diz: Nem tanto.
Lane diz: Um tantão!
Rory diz: Você está exagerando.
Lane diz: É porque nós somos melhores amigas. Nós estamos ligadas. Eu sinto o que você sente.
Exceto agora que você parece não estar sentindo nada e eu estou com muita raiva!

Só entende quem tem uma Liliane Pelegrini (ou uma Lane) na vida.

Feliz aniversário, Firuleza. Muita paz e amor (o essencial do momento) e saúde e disposição para continuar me defendendo dos meus apuros.


Te amo!!!