segunda-feira, 23 de junho de 2008

A gente colhe o que a gente planta

Meses atrás: meu pai sempre viaja de carro, a trabalho. Numa madrugada, indo de Belo Horizonte para Juiz de Fora, parou na estrada ao ver uma ambulância estacionada no acostamento. Perguntou ao motorista da ambulância o que estava acontecendo e este lhe explicou que o veículo tinha estragado, ele precisava seguir viagem e não sabia o que fazer. Meu pai, então, desceu do carro. Deu uma olhada no motor da ambulância e, como viu que não poderia fazer nada, levou o motorista até a cidade onde ele deveria chegar e o ajudou a solucionar seu problema.

Um mês atrás: fazendo o mesmo trajeto, meu pai sofreu um acidente de carro. Foi levado para a Santa Casa de uma cidade próxima ao local do acidente. Devido ao estado em que se encontrava, ele só poderia ser transferido para um hospital em Belo Horizonte de ambulância. De acordo com as normas esdrúxulas da Santa Casa em questão, uma ambulância deveria se deslocar de BH até a tal cidade para buscá-lo. No entanto, essa era uma possibilidade inviável. A viagem demora cerca de duas horas e meia, o que significa que levaria, no mínimo, cinco horas para que meu pai fosse atendido num hospital daqui. E assim teria sido se um motorista da Santa Casa não tivesse entrado no ambulatório e visto meu pai na maca. Se tratava exatamente do mesmo motorista que meu pai havia socorrido meses antes. Ele peitou seu próprio chefe e todo o hospital. "Esse cara me ajudou um dia e eu vou levá-lo agora, e de qualquer jeito", ele disse. E trouxe.


p.s.: A propósito, ontem, depois de exato um mês, meu pai finalmente recebeu alta e voltou para casa. Mais uma vez ele nasceu de novo após um acidente em que o carro teve perda total. É o terceiro desse tipo a que ele sobrevive. Isso além de de outros acidentes menos graves, uma internação na UTI por problemas de saúde, um seqüestro (daqueles com cativeiro e tudo)...Pois é. Eu sou filha do Highlander. Graças a Deus!