domingo, 3 de agosto de 2008

A dinâmica do amor

A dinâmica da paixão eu conheço bem. Já me apaixonei zilhões de vezes. Uma dor e uma delícia do meu ser. Sou regida por Vênus, não sei viver sem essas sensações. Mas me apaixonar meeeesmo (daquele jeito em que, em algum momento, você pára e pensa "eu detonaria minha silhueta para ter um filho desse cara") foram só (?) umas duas ou três vezes. E posso dizer, de cor e salteado, como funcionana o ciclo. A primeira fase é aquela maravilhosa, das borboletas no estômago, que todos amam. Uma lua de mel. Eu acho que vai ser para sempre, faço mil planos secretos, fico certa de que nada pode me deter, dou apelidos carinhosos, conto para Deus e todo mundo e, principalmente, ouso chamar de amor (para, lá na frente, descobrir que não era nada disso). Depois, por algum motivo (nunca é o mesmo) o troço desanda, dá tudo errado, cada um vai para seu lado. Eu sofro e ele também (rá! não pense que vai ser fácil me perder). Dá uma tristeza danada, um desgosto da vida, uma saudade cortante. Até que eu começo a me desapegar. Mas é uma mistura de desapego com raiva. Uma vontade de esganar o fulano por ele não ter dado conta. De falar mal dele para as amigas (geralmente, faço isso). Um desejo de que ele se exploda. Fique sozinho eternamente ou encontre uma mulher que lhe meta vinte e sete pares de chifres. E, de repente, clique. Eu me pergunto: como fui me apaixonar por isso? (Entenderam, né? Isso!). Nem era sólido, mas se desmancha no ar. Vira indiferença ou, na melhor das hipóteses, "tratamento respeitável, de senhora e senhor".

E então eu fico pronta para me apaixonar de novo. E então eu me apaixonei de novo. A primeira fase foi aquela maravilhosa, das borboletas no estômago, que todos amam. Uma lua de mel. Eu achava que ia ser para sempre, fiz mil planos secretos, fiquei certa de que nada podia me deter, dei apelidos carinhosos, contei para Deus e todo mundo e, principalmente, ousei chamar de amor (para, lá na frente, descobrir que era isso mesmo). Depois, por algum motivo (nunca é o mesmo) o troço desandou, deu tudo errado, cada um continuou do seu lado. Eu sofri e ele, não sei se sofreu, mas ficou triste também. Dá uma tristeza danada, um desgosto da vida, uma saudade cortante. Até que eu comecei a perceber que eu não iria, nem queria, me desapegar. Eu não senti raiva, nem vontade de esnagar o fulano por ele não ter dado conta. Não quis falar mal dele para as minhas amigas. E nem quis que ele se explodisse, ficasse sozinho eternamente ou encontrasse uma mulher que lhe metesse vinte e sete pares de chifres. E, de repente, clique. Eu me perguntei: como eu fui me apaixonar por ele? E eu sabia dar a resposta completa e com justificativa. Foi um momento de epifania. Pela primeira vez, nos meus quase 25 anos bem vividos, eu estava (estou) vivendo a dinâmica do amor.

Eu amo e por isso quero que ele esteja por perto, seja como for. Amo e desejo que ele seja feliz. Não vai ser comigo, eu acho uma pena, sinto um nó. Mas é o meu desejo mais sincero. Seja com quem for. Eu amo e já não preciso mais beijá-lo. Só quero poder escutá-lo falar. Pode ser o assunto mais idiota da face da Terra que eu acho graça (o que que eu vou fazer se ele tem os melhores assuntos bobos do mundo?). Eu amo e não quero fazer sexo. Quero só poder ficar falando do meu jeito, sendo do jeito que eu sou, implicando e enchendo a paciência. E eu faço isso. E ele ri. Eu amo e me preocupo se ele dá um espirro. Eu amo e, quando ele some, eu não tenho medo que ele esteja com outra mulher. Eu tenho medo que tenha acontecido alguma coisa realmente grave com ele. Eu amo, mas não tenho interesse em ler os recados do Orkut dele. Eu descobri que o amor é mesmo altruísta (juro! Não é balela dos Içamis Tibas da vida).

E, sabe o que é melhor? Eu sei que eu ainda vou me apaixonar zilhões de vezes na vida. E, talvez, eu até chegue a amar outra pessoa. Não estou presa a esse amor, embora saiba que é amor e ponto. Daqueles que você não esquece, ainda que viva mil anos. Tudo bem, se ele estiver por perto. Ficarei imensamente feliz se ele me visitar na maternidade quando eu parir um filho de outro cara. E acredito que ele vai mesmo. Ele gosta de mim também. E não é pouco. Eu sei.

Estou amando com a certeza da amizade. Um experiência mais interessante que amar com o peso da paixão.


p.s.: Eu ando sumida, pessoas. Mas é trabalho demais. Sexta-feira eu passei TREZE HORAS seguidas escrevendo textos. Só parei para 20 minutos de almoço. É isso.
p.p.s.: Cara de pau essa garota. Faço um texto desse tamanho e ainda coloco um "p.s". Ou melhor, dois! Mas ele há de ficar aí por muito tempo. Então, recomendo que vocês leiam parcelado.