segunda-feira, 27 de outubro de 2008




O que estragava tudo era minha mania de amor (ou qualquer outro sentimento que o valha). Que irônico. Há quem se case sem amor e eu sentindo um incômodo abissal de estar junto, um dia que fosse, sem sentir gelar o estômago ou ter vontade de fazer planos para amanhã. Estragava. Não estraga mais. Sem que eu tivesse que me submeter a uma lobotomia, enfiei na cabeça algo o que parecia óbvio para o mundo inteiro, menos pra mim: eu posso sair, beijar, beber, fazer churrasco, deitar na rede, morrer de rir, falar merda, conversar ao telefone, patinar no gelo, compor uma música, fazer compras, viajar para a China, iniciar uma coleção de jogo de botão, dançar tango, levar o cachorro para vacinar, inventar apelidos idiotas, acampar na Serra do Cipó e virar a noite acordada com uma pessoa sem que, necessariamente, eu me imagine casando e tendo Davi e Nina* com ela.


* Ok! Eu até aceito negociar o nome da menina. Mas do Davi eu não abro mão nem a pau.