quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tipo morango


Adulta demais para freqüentar lugares lotados, onde é preciso berrar para conseguir manter uma comunicação minimamente eficiente. Adulta demais também para ter um blog rosa, com brilhozinho. Mudei porque estava achando brega, pra ver se me animo e não abandono isso aqui e porque tenho andado ocupada. Gosto de fazer alguma coisa que exija minha atenção quando estou cheia de trabalho. Desviar um pouco o foco, sabe como? Pena que só funciona com trabalho. Tem coisas que eu não me esqueço nunca. N-U-N-C-A.

Me disseram que meu livro é a minha cara. Estranho é que veio de alguém que me conhece pouco, pouco mesmo. Eu não fiquei ofendida, de forma alguma. Bem ou mal, o livro é meu, afinal de contas. Mas acho estranho como as pessoas associam a minha imagem com a da pessoa que vaga sozinha pelo mundo e se diverte (e diverte aos outros) às custas disso. Talvez eu tenha que escrever sobre outros temas amorosos.

Talvez eu escreva sobre a menina que se apaixonou três vezes pelo mesmo homem. E continuará se apaixonando, quantas vezes for preciso. Porque só quando se apaixona por ele é que ela se esquece dos outros. Refúgio. Nem sabe se quer tê-lo de verdade, porque talvez se ela o tiver, deixe de se apaixonar mais e mais. Desencanto.

É estranho quando a gente se desencanta. É estranho quando a pessoa que era tudo na sua vida vira um espectro. Tenho perdido as feições, a fisionomia, a voz. Às vezes eu fecho os olhos e tento lembrar. Mas a imagem é esfumaçada, a voz é distorcida. Estranhísssimo. Parece que eu estou num filme do David Lynch. Eu ainda não sei o que isso significa.

Não sei nada disso. Escrevo sobre motor de caminhão - assunto com o qual comecei a trabalhar há uma semana - mas não escrevo sobre isso - assunto que tento entender desde que descobri que tenho coração.

Pensando bem, uma mulher não se apaixonaria três vezes pelo mesmo homem se não o quisesse muito. Ela o quer, sim.

Mas que dá vontade de chorar, ah dá! A vida é áspera. Mas é boa. Tipo morango.