segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Palavras pra dizer




Eu gosto de palavras. Tenho profunda ligação com elas. Umas eu amo, outras odeio (sendo, inclusive, incapaz de pronunciá-las ou escrevê-las). Adoro aprender palavras novas. Conhecer significados e morfologias. Aprender como são as palavras em outros idiomas. Tenho tara por dicionário.

Fico indignada com gente que não respeita as palavras. E aqui eu não falo apenas de escrever incorretamente (aí já não é falta de respeito, é falta de outras coisas). Gente que fala "eu te amo" como se fosse "bom dia". Gente que fala que está "literalmente cansada". Gente que fala "euzinha". Gente que coloca entre aspas frases de autoria própria. Morro de preguiça.

O problema desse meu elo com as palavras, desse meu amor e respeito por elas (que fez com que eu escolhesse o ofício de ordená-las em forma de informação, a minha profissão) é que não é recíproco. As palavras não me amam. Elas me escapam. E elas não existem para coisas que eu gostaria de explicar.

Todo mundo já deve ter se perguntado, ao menos uma vez na vida, como pode a palavra saudade só existir em português. Que chato deve ser senti saudades em outro idioma. Não bastasse o rombo na alma, não há nem como explicá-lo. Eu sei como é isso. Todo mundo sabe. É como eu me sinto hoje. Sentimento sem nome.

Tem a ver com ausência, mas não é exatamente saudade. Tem a ver com vontade de estar junto, mas seria leviano chamar de amor. Tem a ver com querer que tudo fique como está, mas não é conformismo. Tem a ver com falta de coragem, mas não chega a ser medo. E é tudo isso ao mesmo tempo. Agora. Será que existe nome para essa coisa em outras línguas? Em português não tem, e com os parcos conhecimentos que tenho de outros idiomas, também não consigo explicar.

O que me ocorre agora, diante da falta de léxico, é converter o sentimento em gesto. O gesto de agora seria um abraço. Um abraço, específico, que não é possível no momento.

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p.s.: nem tudo o que eu escrevo aqui corresponde, ao pé da letra, à realidade. Mas a maioria das vezes, sim. E tudo o que tenho escrito aqui ultimamente é sobre coisa bem recente. Acho ridículo ter que dar certas explicações - o blog é meu, eu escrevo o que eu bem entender - mas acho importante esclarecer, pois estou farta de alimentar o ego de certas cabeças pretensiosas. É tudo novo, em todos os sentidos da palavra "novo".