terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não, ela não parece: a vida é uma festa




Talvez você passe a sua vida inteira sem eleger uma banda de coração. E viverá muito bem. Não estamos falando sobre necessidades vitais. Mas talvez você eleja uns caras meio malucos como as pessoas que farão a trilha sonora da sua vida. E aí você viverá melhor ainda. Estamos falando de necessidades emocionais.

Há cerca de 12 anos - quase metade da minha vida - elegi os Titãs (naquela época, já com quinze anos de uma carreira consagrada). Primeiro, foi a música. Depois vieram as relações construídas com outros fãs da banda. Nesse meio tive desafeto, tive namoro, tive paixão e tive, acima de tudo isso, elos construídos por sentimentos indissolúveis. Amizades, em suma. Por fim, vieram os titãs. Assim, com letra minúscula. Porque aqui não falo da banda Titãs. Mas de cada integrante que, ao seu modo, ganhou um espaço no meu coração.

Dos 18 aos 23 anos fui em mais de 50 shows da banda. Estive com eles em momentos insólitos - às vezes, até inoportunos. Hotéis, camarins, aeroportos. E não houve um dia sequer em que eu tenha me arrependido de tê-los escolhido como minha banda do coração. Nunca houve um tratamento hostil ou desrespeitoso. Eram meus ídolos, me tratando com a simpatia de velhos conhecidos. Foi o que me fez continuar na estrada e viver um período incrível da minha vida que culminou comigo apresentando um programa ao lado deles na MTV (quantos fãs de quantas bandas tiveram a chance de estar ao lado de seus ídolos, trocando uma idéia sobre a clipografia da banda, na MTV? Me permitam uma dose excessiva de satisfação).

Ontem, ao assistir ao documentário "Titãs - A Vida Até Parece Uma Festa", senti as emoções de uma história que se confunde com a minha. Eu e Lili - minha dupla dinâmica em aventuras titânicas - que há tanto tempo estamos afastadas da "nossa" banda, estávamos novamente diante deles. Foi difícil se controlar na cadeira para não sair pulando e cantando nas músicas que conhecemos tanto. Foi difícil também conter as lágrimas quando o querido Marcelo Fromer precisou se retirar da história. Foi difícil conter a gargalhada ao vê-los realizando um Sonho Maluco, no programa do Gugu, em meados da década de 80. Foi difícil piscar os olhos naqueles 100 minutos de uma história real, cheia de excentricidades, ousadias e maluquices que a ficção jamais ousaria inventar.

Parabéns Branco Mello, o gênio que teve a idéia de reunir todo esse material histórico. Parabéns Tony Bellotto, o cara que consegue conciliar solos de guitarra com romances policias - ambos igualmente viscerais. Parabéns Sérgio Britto, pela criatividade que vai de melodias doces ao delírio chamado rock'n'roll. Parabéns Paulo Miklos, ator incrível que interpreta como poucos seu papel de frontman. Parabéns Charles Gavin, motor da banda, meu eterno titã preferido.