quinta-feira, 23 de abril de 2009

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Preguiça mental monstro. Falta de criatividade/inspiração colossal. Fiquei a manhã inteira com meu word aberto, tentando começar uma matéria e até agora nada. Honestamente? Não tenho no que jogar a culpa. Talvez escrever já não seja tão vital quanto era antes. Escrever pra mim já foi questão de vida. Hoje, talvez seja apenas de sobrevida. Escrevo matérias, releases e coisas do tipo pois é meu ofício. É assim que sustento as minhas futilidades. Os outros delírios transformados em texto são apenas uma válvula de escape, que parece estar se tornando obsoleta. É triste olhar as coisas por esse ângulo. A escrita me salvou de tantos perrengues e agora eu não consigo salvá-la da minha inércia. Se ainda fosse por falta de assunto. Mas nem é. Minha agência nasceu. Meu afilhado nasceu. Minha melhor amiga fez aniversário. Fui vítima de uma tentativa de bullying. Viajei. Entrei em conflito com as pessoas que mais amo. Reconciliei. Me senti o pior dos humanos. Fiz entrevistas legais. Senti saudades. Senti frio na barriga. Senti ódio no coração. Senti leveza na alma. Bebi. Rolei na lama (literalmente). Tive dor de barriga de tanto chocolate branco na Páscoa. Estou vivendo, enfim. Mas não consegui escrever uma mísera linha que fosse. Hoje estabeleci como regra. Eu deveria escrever, nem que fosse sobre o não-escrever. E cá estou. Despejando qualquer bobagem. Tirando teias de aranha do blog. Sem saber quando vou voltar.

Por falar em tudo isso, hoje é dia do livro. Aproveito o ensejo para comentar um fato pitoresco. Dia desses, minha amiga Paula Ribeiro deixou o seguinte recado no meu Orkut: "do controle de visitas do meu bróg: 'Brasília, Distrito Federal arrived from google. com. br on "de minuto: Setembro 2008" by searching for livro "e se eu for uma frigideira" para baixar.' a tentativa de pirataria é um sinal óbvio de sucesso". Não deixei de ficar lisonjeada. Mas, gente, piratear pobre é sacanagem! Quem quiser piratear o produto legalmente é só entrar no site da editora (www.biblioteca24x7.com.br) que você pode adquirir a versão virtual do livro pela módica quantia de R$ 10 ou R$ 11 (é por isso que dificilmente irei enriquecer. Não sei o preço nem das minhas próprias coisas).

Enquanto isso, continuo dando meus pitacos no Twitter.

UPDATE: ATÉ QUE EU VOLTE, DEIXO COM VOCÊS ALGO MUITO MELHOR QUE MEUS ESCRITOS. UM ÓTIMO TEXTO DO ÓTIMO ANTONIO PRATA.

O chute de trivela em três lições

Caro leitor, antes que eu continue, é preciso que façamos um trato. Você não mostrará essa crônica a mulher nenhuma. As coisas estão bem como estão e caso o presente texto caia em mãos erradas, estamos fritos. (Razão pela qual coloquei esse título, que não tem nada a ver com o assunto doravante tratado e visa exclusivamente a despistar o interesse feminino). Tudo certo? Então vamos lá.

As mulheres não são loucas. Nem imprevisíveis. Ou melhor, são sim, mas só na medida em que o ser humano é louco e imprevisível. Essas acusações são uma tática que criamos em séculos de hegemonia masculina para pôr fim às discussões antes que comece o jogo do Corinthians.
“Ela é maluca!”, dizia meu amigo, indignado. “Brigou comigo só porque eu fiquei no bar até quatro da manhã!”. Na boa, ela pode ser chata, mas não louca. Muitas mulheres são chatas. (Muitos homens também, mas isso é tema para outra crônica).

Quer coisa mais óbvia? Você fica no bar até tarde, ela briga. Mulheres são previsíveis. (Você fez uma promessa lá em cima, lembra?). Nós sabemos bem o que elas querem e sabemos melhor ainda o que não querem. Acontece que às vezes queremos o que elas não querem: ir ao estádio no dia do aniversário de namoro, ficar no bar até mais tarde, deixar um scrap engraçadinho no Orkut da ex-namorada. Aí elas brigam e nos saímos com essa: loucas!

Claro que, para que possamos acusá-las assim, na hora do vamos ver, é preciso mantê-las sob uma aura permanente de mistério. Quantas matérias em revistas ou programas de TV você já não viu com a pergunta: “o que as mulheres fazem juntas no banheiro?”. Me diga, companheiro, você realmente acha que elas façam qualquer coisa de extraordinário? Que arranquem as roupas e lambam-se famintas, em delirantes sabás sanitários? Que nada. Elas fazem xixi, retocam a maquiagem, falam mal da Ju, da Má, da Re, depois comentam que o Rô é gatinho, que o Fê tem mau hálito e voltam pra mesa, como se nada tivesse acontecido - o que faz todo sentido, uma vez que nada aconteceu.

Suspeito que haja ainda uma segunda razão para que as transformemos nessas figuras desequilibradas. É a nossa necessidade de fingir que temos algum equilíbrio. Que estamos no controle. Por isso penduramos quadros, arrumamos o porta malas com esmero, fingimos que sabemos exatamente onde estamos indo e não pedimos informação, jamais!, mesmo estando perdidos.

Mesmo assim, não nos iludimos. Por mais que nos esforcemos, sabemos que a vida continua sem sentido e que a gente não controla quase nada. Nem as mulheres, mas isso tudo bem, afinal elas são completamente loucas.