sexta-feira, 22 de maio de 2009

Aos essenciais

Deu vontade de falar de amizade. Escrevo tanto sobre o amor e outros delírios. Sobre amizade, quase nunca. Mas a vontade bateu à porta e não veio por um acaso. Veio motivada por uma série de acontecimentos recentes. Também não veio sozinha, veio cheia de amor, saudades, gratidão e decepção também. Sei que não sou uma amiga perfeita e nem tento ser. Acho perfeição um saco. Mas sei que sou uma amiga por inteiro. Às vezes eu sumo, fico tempos sem ver ou falar com alguns dos meus amigos, mas em momento algum me esqueço de que sou deles. Sou deles, sim. Para o que precisarem. Sou dessas que tomam as dores, pois eu acredito que os problemas dos meus amigos são meus também. Brigo se preciso for. Já cansei de me colocar no fronte por eles. Talvez por isso eu posso dizer, com segurança, que tenho muitos amigos. Talvez mais do que eu mereça. Mas não mais do que eu preciso. Preciso de cada um deles e sei a exata dimensão de cada um em minha vida. Eles me ocupam um espaço enorme e me consomem. E quanto mais consumida eu sou, mais eu me sinto viva. Por isso não há espaço para semi-pseudo-meio-amigos. Amigo é assim. Ou é ou não é. Considero meus amigos aqueles que discordam de mim, mas respeitam minha opinião. Aqueles que me escutam quando eu estou triste e se afastam oportunamente quando eu quero estar sozinha. Aqueles que confiam em mim e alugam meus ouvidos também. Aqueles que gosta de mim apesar das minhas loucuras. Aqueles que gostam de mim por causa das minhas loucuras. Dia desses fui obrigada a abrir mão de uma amizade. Estava insatisfeita, não sei disfarçar. Era meu amigo enquanto eu tinha algo a oferecer. Mas quando a fonte do que eu oferecia esgotou, por consequencia, a suposta amizade também. Foi triste, mas como eu disse, ou você é ou você não é. Em contrapartida vi uma grande amiga resolver um grande problema meu. Me ajudou assim, sem que eu precisasse pedir. Uma demonstração tão sincera de generosidade, altruísmo e amor que cheguei a me questionar o que fiz de tão bom pro mundo pra merecer uma amizade assim. Ela podia me ajudar e me ajudou. Chato é quando a gente quer ajudar e não pode. Tem acontecido isso também. Foi nos últimos dias que me peguei chorando por conta de um problema de uma amiga. Daqueles que deixam a gente impotente, sem saber o que fazer, de pés e mãos atados e coração apertado. Aos problemas que não estão ao meu alcance, dedico minhas orações e energias positivas. E minhas lágrimas, numa tentativa - inútil, eu sei - de aliviar a dor do outro. Amigo é para isso. Chorar com a gente. Pela gente. E rir também. Muito. Demais. Eu rio tanto com meus amigos e eles comigo. Sabe o que me satisfaz muito? Quando um deles está tristinho e eu solto alguma bobagem (são tantas nessa cabecinha) e os ouço dizer "só você mesmo para me fazer rir". Mas é que isso que eu quero na vida, amigos. Ver vocês sorrindo. Às vezes tenho vontade de dizer isso. Principalmente quando estamos loucos, varando noites e dançando funk. Mas vai parecer papo de bêbado. Então deixo pra lá. Deixo de falar, mas não de sentir. Isso nunca. Cada dia que passa, amo mais os meus amigos. E compreendo a importância deles em minha vida. E me reconheço como uma privilegiada. Não é fácil encontrar tanto tesouro nesse mundo cheio de gente arrogante, mesquinha, que quer atrapalhar o seu caminho pelo simples prazer de atrapalhar o seu caminho. Não sobreviveria sem meus amigos. Meus amuletinhos da sorte. Vocês são lindos. Vocês são meus. Vocês me fazem feliz. E vocês sabem exatamente quem vocês são.