quarta-feira, 10 de junho de 2009

Caras como eu...




A foto acima foi tirada há exatos dez anos, ou seja, no dia 10 de junho de 1999 (uma véspera de feriado, tal como hoje), num ginásio, na cidade de Londrina, no Paraná. Sem dúvidas, o dia mais feliz da minha pacata adolescência. Porque adolescentes são assim. Ou se deixam dominar pelos hormônios à flor da pele e vivem por articular planos para se aproximar do sexo oposto (embora o corpo e a feição espinhenta muitas vezes não colabore); ou estão enfurnados no próprio mundinho, vivendo numa bolha impenetrável, quase que num altismo opcional; ou estão atrás de ídolos: consumindo-os, perseguindo-os, imitiando-os e sonhando com o dia em que serão amigos íntimos deles. Eu tinha uma dose de cada tipo, sendo que o terceiro era mais acentuado.

Começou com o Leonardo Di Caprio - levada pela modinha do Titanic - e mudou bruscamente para os Titãs (pois é) levada pela modinha do Acústico MTV. Poderia ter sido uma onda passageira (ou uma marolinha se Lula fosse nosso presidente, então), como a que fez Leo me arrebatar. Mas não. O que veio depois disso é história longa, cheia de cenas engraçadas, tristes, trágicas, cômicas. Todas inesquecíveis, no entanto. O primeiro desses acontecimentos é esse que a foto registra. Ganhei uma promoção para passar um dia ao lado de Titãs e Paralamas em Londrina. Lembro-me do Emílio Zurita ligar na minha casa, na hora do almoço, para dar a notícia do resultado da promoção, organizada pela Jovem Pan.

Ironicamente, o baterista Charles Gavin, meu titã preferido, não comparaceu ao show pois estava em Seatle (EUA), gravando sua participação no fraco CD "As Dez Mais" (fraco no entendimento que tenho hoje. Na época, achei genial). Até chorei. Nada que me abalasse por muito tempo. Depois disso, tive a oportunidade de encontrá-lo muitas e muitas vezes. Infelizmente, todos esses encontros só aconteceram depois de junho de 2001. Quando já não havia mais Marcelo Fromer. Esse, sim, só vi nesse dia da foto e nunca mais.

E o resto da história vocês já sabem. Vi muitos shows, viajei pra um monte de cidades, aprendi a andar sozinha por aí, fiz um bando de amigos loucos, e lindos, e amados e queridos (e agora eu tenho onde me hospedar de graça em São Paulo, no Ceará, no Rio, no Espírito Santo, em Santa Catarina e até no Japão!). Fiz uns desafetos também porque, né, a essência da encrenca vem de berço. Comecei a me interessar com afinco por música, literatura e outras artes. Descobri como eu sabia me expressar e vi a Fernanda crítica e irônica ganhar cada vez mais espaço em minha vida.

Crítica, inclusive, em relação a eles. Desde semana passada tenho ouvido Sacos Plásticos, o novo do disco dos Titãs. Não me apaixonei por todas as músicas à primeira audição. Nem à segunda, nem à terceira. Mas estou me apegando aos poucos. O disco é muito mais do que eu esperava. Sinceramente, faz tempo que não espero muito deles. Talvez para não me desapontar. Mas ainda reconheço neles os Titãs de antigamente. Não aqueles da foto. Mas aqueles de 20 anos atrás.

Papai do Céu gosta de mim e não atendeu minhas preces adolescentes para que um dia eu me casasse com um deles. Mudei de pretendente um milhão de vezes, encontrei uma profissão, um emprego, novos amigos alheios a tudo isso. Mas ficaram as amizades que fiz naquela época e a saudade (que, como disse alguém, é um sintoma de que o passado valeu a pena).

Por isso, de tempos em tempos escrevo sobre eles. Dou uma visitada naqueles anos. Revejo as fotos. O disco novo e a efeméride me deu vontade de fazer isso hoje. Qualquer dia eu volto com mais um ordinário post extraordinário titânico.



p.s.: Olhando a foto, me deu vontade de fazer um agradecimento especial: valeu, Sr. Tempo, você foi muito camarada comigo.