quarta-feira, 8 de julho de 2009

Das pequenas paranoias




Diariamente caminho numa praça que tem perto da minha casa. Ok. Estamos entre amigos. Vamos falar a verdade. De vez em quando caminho numa praça que tem perto da minha casa. Como minha caminhada não tem regra alguma [pode acontecer a qualquer dia, em qualquer horário] sempre me encontro com grupos diferentes de pessoas. Mas quase todos tem um hábito em comum: levar suas squeezes de água. Eu nunca levo porque realmente bebo pouca água [o que apavora minhas paranoias hipocondríacas, pois temo muito ter um problema renal] e principalmente porque tenho preguiça de fazer caminhada carregando alguma coisa. Aparentemente, meus companheiros também. Então, o que eles fazem? Deixam as squeezes sobre um banco da praça e, de tempos e tempos, passam por lá para tomar um gole d'água.

Percebem o perigo? Não há um dia sequer que, ao ver a cena, eu não imagine um louco passando por ali e conseguindo encher todas as garrafinhas (chega de falar squeeze, essa palavra feia que nem existia até pouco tempo atrás) de veneno, boa noite cinderela ou um barbitúrico qualquer. Por que alguém faria isso e como alguém faria isso sem ser notado pelas dezenas de pessoas que ocupam a praça eu também não sei. Mas sempre acho que isso pode acontecer.

Na dúvida, continuo não levando água. Prefiro ter um problema renal a morrer envenenada pelo maníaco da caminhada.

Gosto de partilhar as minhas paranoias com as pessoas porque sempre descubro alguém que faz com que elas pareçam ter sentido. Tipo minha amiga Calypso, acho que ela acreditaria no maníaco da caminhada, afinal ela morre de medo de Tsunami (vale lembrar que moramos em BH).

Mas preciso me conter, sabe. Outro dia, em plena reunião com cliente eu começo a destilar minhas neuras com avião. Eu dizia que só viajaria pela Azul Linhas Aéreas depois que houvesse um acidente com essa companhia, falei que só viajo de avião se tiver algum conhecido no voo etc e tal. Eu acho que o cara ficou meio espantado, perguntou se eu tinha TOC. Vi a hora dele não assinar mais o contrato comigo, mas assinou. O caso é que depois de cada assinatura ele fazia três pontinhos. E então, eu deduzi que ele era maçom e, claro (não me controlo) perguntei. Ele disse que não e ficou rindo. E lá fui eu contar minhas teorias da conspiração sobre maçonaria.

Bem que quando eu fazia terapia a mulher me disse que eu deveria canalizar minha criatividade para escrever textos de ficção. Mas eu acho tudo muito normal. Os outros é que são relapsos.

p.s.: Desde ontem estou resfriada. Exatamente. Já cogitei estar com gripe suína (ou gripe A, ou gripe mexicana, ou gripe H1N1). Ainda mais que sábado eu estive na casa de uma amiga onde, na noite anterior, havia estado uma mulher que voltou de Florianópolis num voo onde haviam duas pessoas contaminadas. Na minha cabeça é tudo tão evidente como se uma pessoa com a gripe tivesse espirrado na minha cara. Pelo menos eu reconheço meus excessos. Nem tudo está perdido.