sábado, 11 de julho de 2009

Ela também pode não estar tão a fim de você


Vi esse filme. E vi a carapuça entrando direitinho. Deus do céu. Quantas e quantas vezes diante da falta de um sinal de um cara para mim ou para uma amiga eu não inventei - para mim ou para a amiga - que ele devia estar ocupado demais. Ou que ele estava fazendo um doce só para seduzir. Ou que talvez ele estivesse sem graça com meu jeito despachado de ser. Ou, quem sabe, que ele estava tão, mas tão apaixonado que não tinha coragem de me ligar. Já acreditei que gente que estava na minha vida há séculos passaria a me levar a sério de uma hora para a outra. Já fiquei grudada no meu celular e atualizando minha caixa de e-mails a cada cinco minutos (até que inventaram o Gmail que se atualiza sozinho. Yes!). Já cheguei até ao cúmulo de pensar que determinada pessoa havia MORRIDO*. Em vez de simplesmente aceitar o óbvio: ele não estava tão a fim de mim. Já acreditei em tudo isso e em outras coisas até um pouco mais mirabolantes. Lembre-se de que eu acredito no maníaco da caminhada (vide post anterior). Minha mente faz de tudo para que eu tenha a ilusão de estar certa. E continuarei assim, enquanto eu viver. Acreditando em tudo pois acredito também que cada caso é um caso. Não existe uma regra, pois não se trata de um jogo.

O ponto onde pretendo chegar é outro. Por que isso tudo é sempre visto somente do ponto de vista feminino? Sendo que, é fato, os homens também se importam (só tem menos coragem de admitir que a gente). Pois saibam, babies, que assim como vocês, homens, também se importam, elas também fazem pouco caso, às vezes. Elas também podem ir ao banheiro mandar mensagem para outro, enquanto ficam com vocês. Elas também entram em pânico com gente que gruda. Elas também tem necessidades pura e simplesmente carnais a serem supridas. Elas também prometem dar notícias, desaparecem e só ressurgem se o plano A der errado. Sim, elas também usam vocês como plano B. Elas também dão graças a Deus quando vocês aparecem com outras. Elas também evoluíram para a capacidade de não se envolver sempre. Não se trata de um jogo, mas se um jogo fosse, certamente vocês teriam sido os criadores das regras. Mas elas aprenderam a jogar. E muito bem. Com o plus da sutileza, com o charme do drama, com o truque das lágrimas. Tudo para garantir que vocês tenham a doce ilusão de estar no comando. Pois saibam, quando vocês mais estão se achando os fodões, mais estão sendo ridicularizados por elas. E anotem essa: se você conseguiu nunca mais ficar com uma mulher em quem você deu o fora, tenha ciência de que ela também não estava tão a fim de você. Porque se ela realmente quisesse, vocês teriam ficado novamente. Homens não resistem. Nunca! Pois é, a gente também tem essa arma. O escudo da resistência. Do controle. Nós mulheres também somos assim. Se não todas, algumas. Se não algumas, eu.

Eu, interessada em sentimentos verdadeiros, sonhadora, mas com um radar (recém adquirido) ultra-eficiente para cafajestagens em geral. Se for cafa mas for legal, eu me divirto também. Estamos aí para isso. Um dia irá surgir aquele que vai me ligar mesmo que esteja ocupado, mesmo que esteja querendo me seduzir, mesmo que esteja sem graça com meu jeito despachado. Ele irá gostar de mim desse jeito: meio impaciente, mas compreensiva, meio impulsiva, mas nada ciumenta. Que gosta de cerveja e futebol, mas que detesta fazer compras. E eu lhe direi: você é um cara de sorte.

* É, ele não havia morrido e, que eu saiba, continua por aí, vivão. Só não estava tão a fim de mim.