quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A menina que escrevia

Eu aqui, às voltas com milhares de textos pendentes sobre projetos luminotécnicos, tive que parar tudo para me reencontrar com uma pessoa que, inesperadamente, voltou à minha vida. Ela, que em muitos sentidos, havia sido deletada, voltou. Totalmente ingênua, falando qualquer bobagem (Desde as notas que tirou na faculdade ao que estava comendo naquele momento. Desde o tênis que havia comprado ao seu novo amor platônico). Desconexa que só ela, falou sem rumo, mudando de assunto sem parar. Demonstrou um certo mau gosto para músicas, filmes. Aliás, não sei se mau gosto é o termo certo. Acho que é falta de conhecimento mesmo. Me contou de um grande amor. Me mostrou os poemas e declarações que escreveu pra ele. E me mostou também as palavras que ele também escreveu pra ela. Nessa hora, eu quase chorei. Mas ri também. Ri dela falando mal de algumas pessoas que eu nem lembro mais quem são. Outras eu sei bem. Ela citou nomes (e sobrenomes). Doida! Até foi chamada para conversar com uma professora da faculdade por conta disso. Falou mal da mulher por aí e deu o maior rebuliço. Achei graça em sua desordem, em seu despudor e em sua preocupação excessiva com problemas minúsculos. Deixei ela falar até esgotar e agradeci. Agradeci a ela por ter feito tudo o que fez por mim. Agradeci a ela por ter sido eu, por mim. Aquela pessoa era eu. Dos 19 aos 20 anos. Guardadinha em blogs que eu já havia deletado e, portanto, perdido para sempre todos os arquivos. Mas como na Internet nada desaparece, minha amiga Maitê (a quem conheci nesse período, por conta do blog) me deu uma dica incrível hoje, que repasso para vocês. Por meio desse site http://www.archive.org/web/web.php você pode recuperar os arquivos de qualquer blog já deletado. Sabendo que isso existe, agora me sinto até mais à vontade caso um dia eu queria matar esse blog aqui (rá!). Ok, não penso em fazer isso porque amadureci. O Blog da Ferdi já existe há mais de dois anos e já superou três paixões. Esse era o Karma dos outros blogs. A cada romance furado, a exclusão de um deles, por total falta de maturidade para lidar com lembranças. Mas hoje, quando todas elas já não são mais doloridas e, sim, gostosas até, delirei com o reencontro. Foi incrível me ver me tornando uma mulher. E foi incrível ver que há quase sete anos eu escrevo que não gosto mais de escrever (e não faço outra coisa).


p.s.: mudando de assunto mas nem tanto, estou contribuindo em outro blog. Os Amélios, by Jujú e Cláudio, meus afilhados de casório. Postei lá hoje, meu controverso texto "Eu quero é ser Amélia". Vejam aqui.