sexta-feira, 25 de setembro de 2009

XXVI



No meu aniversário de 13 anos, meus amigos do colégio jogaram tanto ovo cru e pó de café na minha cabeça que meu pai, ao me levar de volta para casa, o fez com os vidros e o porta-malas (!) do carro abertos, pois não suportava o cheiro que eu trazia na minha cabeça. No meu aniversário de 20 anos, ganhei flores de um colega da faculdade e, diante da total falta de destreza para lidar com flores, joguei o buquê no tanque e deixei a torneira aberta sobre ele. No meu aniversário de 6 anos, meus pais me levaram ao Carrefour e me deram minha primeira e única Barbie, aquela que tenho até hoje, ainda com a roupinha original (mas com o cabelo mais curto, pois cortei com as esperança de que criassem força para crescer mais). No mesmo dia, eles passaram na Makro para comprar pacotes de pirulitos para a festinha de logo mais, mas eu não pude entrar, pois era proibida a entrada de crianças na Makro (na realidade, meu pai dizia isso, não sei se é verdade até hoje). No meu aniversário de 18 anos, meu pai se esqueceu que era meu aniversário. Pensei em me vingar quando chegasse o aniversário dele. Mas não tive coragem. No meu aniversário de 4 anos, dividi as atenções com o nascimento do meu primo Gustavo, que aconteceu no mesmo dia. Anos mais tarde, cheguei às vias de fato na tentiva de vingaça pelo roubo da data, fazendo-o inalar amônia. Ele superou. Ainda bem. No meu aniversário de 10 anos, minha tia sofreu um acidente de carro. Foi chato. No meu aniversário de 22 anos, chovia torrencialmente em BH. Mesmo assim, saímos eu, oito amigos e dois bolos num Fiat Uno, para comemrar. Sim, Uno. No meu aniversário de 25 anos, eu comemorei o lançamento do livro. No meu aniversário de 3 anos, bebi todo o resto de bebida que sobrou da festa e quase fui internada em coma alcoólico. Sim, 3 anos. No meu aniversário de 15 anos, que deu numa sexta, como hoje, comemoramos com uma grande festa no sábado. Valsa, book, vestido rodado e todas aquelas outras coisas que, obviamente, quase me mataram de vergonha.



Minha memória quase doentia para datas é um presente que a vida me deu. Posso me lembrar de coisas que aconteceram em determinados dias, sem que eles tenham nada de especial, há quinze anos. Os 25 de setembro, então, nem se fale. Um presente e um fardo também. Às vezes, esquecer é bom. Mas se é uma condição, aceito de bom grado. O presente compensa o fardo. Tudo o que eu quero para mim, é saúde e memória, para chegar aos 98 anos (o que se dará em 25 de setembro de 2081) e me lembrar com clareza de como foi o meu aniversário de 26 anos. Hoje.