terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nós in Rio

[Prometo que nesse texto não mencionarei em momento algum o verso "O Rio de Janeiro continua lindo"]

Eu saí de casa na sexta-feira, às 16 horas, e cheguei ao Rio de Janeiro na madrugada de sábado, às 2h. E, bom, eu fui de avião. Mas por que me estressar com o fato de o aeroporto de Belo Horizonte ser em outro planeta e de ter caído uma chuva torrencial logo na hora de sair? Por que me estressar com o voo que atrasou 6 (SEIS) horas? Por que escolher ser infeliz se essa é a opção número dois? Era véspera de feriado, eu estava com amigos, e, principalmente, eu odeio esperar, mas meu ódio não chega a ser maior que meu pânico de voar. Prefiro aguardar mil horas a pegar uma turbulência. Mas nossos coleguinhas de voo não pareciam compreender que as atendentes da Gol não podiam simplesmente telefonar para São Pedro e solicitar o cancelamento da chuva no Rio. Se digladiavam como feras, urravam, socavam as portas de vidro. Às mocinhas da Gol, coitadas, só restou sentar e chorar (literalmente). Fiquei com pena. Delas e dos passageiros que deixavam aflorar os mais primitivos instintos humanos. Pessoas ignorantes sempre me dão pena. Embarcamos, enfim. E eu morrendo de medo daquela energia negativa derrubar o avião (eu acredito em cada coisa...).


E por que achar ruim que - mesmo depois das seis horas de espera - tivemos que engolir os quatro biscoitos e o refrigerante quente da companhia se, ao chegarmos no Rio, uma lasanha, um pudim e um pavê nos esperavam ansiosos?

E pra quê ficar reclamando que o dia estava nublado, no sábado, se podíamos muito bem trocar a praia por uma via-sacra de bar em bar em Ipanema? O restaurante mexicano era um charme. Embora comida do México não seja das minhas preferidas (não aceito misturar abacate com coisas salgadas). O boteco me lembrou o Bolão e eu gostei (mas eu prefiro o Bolão). E o pub tinha doces incríveis. Embora, no cardápio também existisse, entre as sobremesas, a opção "goiabada com catupiry". O que parece existir em TODOS os restaurantes do Rio. Perdão, cariocas, mas para meu estômago é quase tão inconcebível quanto o abacate com feijão (guacamole com burritos, na minha visão simplista das coisas). No fim das contas, aprovamos todos os bares e, como mineiros, temos autoridade para isso. Assim como os cariocas tem autoridade para falar de samba.

A visita à quadra do Salgueiro, em noite de eleição do enredo, foi uma experiência antropológica. Nunca vi um lugar tão democrático em toda a minha vida. Nem tão lotado. Mas valia a pena superar o calor e o empurra-empurra para ver a bateria do Salgueiro (aka Furiosa) tocar. Emocionante, para mim, salgueirense desde criança.

Na noite seguinte, mais samba. Dessa vez, na Lapa. Bairro que eu escolheria para viver caso um dia tivesse que viver no Rio de Janeiro. Antes, porém, um dia inteiro de sol e biscoitos Globo em Ipanema. E pra quê me sentir mal com todas aquelas mulheres exibindo corpos perfeitamente esculpidos em academias se eu moro mesmo é aqui em BH? (sério, eu raramente vejo por aqui mulheres do "modelo Rio de Janeiro").

No dia de ir embora, o sol voltou para se despedir. Quase nos derretemos no carro, presos no engarramento para a Barra. O que só aumentou a alegria de ter o mar aos nossos pés quando, enfim, chegamos.

E se na ida o problema foi da Gol, na volta foi nosso. Levemente perdidos no caminho até o aeroporto (perdidos do tipo: passando quatro vezes pelo mesmo quarteirão), chegamos atrasados. Mas olha como o Brasil é um país legal: os atrasados tem prioridade. E então passamos na frente da fila quilométrica e tudo deu certo. Como sempre dá.

Ótimo voltar ao Rio, depois de seis anos e num contexto muito mais interessante. A vida é isso aí. Horinhas de descuido.