sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais uma de criança

Acontece comigo e acredito que com todo mundo. Vira e mexe aparece alguém que, voluntariamente ou não, faz com que a gente se sinta o pior de todos os mortais, um lixo humano, um zero à esquerda. É quando a gente se questiona: será que essa vida aqui vale a pena?


E a resposta não vem cheia de pompa em momentos grandiosos. Acontece em pequenos detalhes que, se não estivermos atentos, deixamos passar. Ontem eu tive a felicidade de perceber um desses detalhes na minha vida.

Como já foi amplamente divulgado pela imprensa mundial eu sou fã de girafas (sim, o animal). O que naturalmente leva as pessoas que fazem parte da minha vida a me presentearem com objetos de girafa, de vez em quando.

Ontem eu ganhei mais um item para minha modesta coleção.

Dudu, meu primo de quatro anos, revirou a mochila que ele leva para o jardim e tirou a minúscula girafinha de plástico, branca, porém bem sujinha. E me entregou.

- Ah, Dudu, você também tem uma Cecilinha!*.
- Não é minha. É para você. Eu escondi de todo mundo para te dar. Você que gosta.

É. Fiquei abalada, com a girafinha na mão, querendo chorar. O que interessa em todo e qualquer presente é a intenção. Por esse motivo eu gosto de tudo o que eu ganho, porque imagino a boa vontade da pessoa que me deu, por trás daquilo (mesmo que seja uma roupa que eu nunca vá usar).

E imaginar a boa vontade de uma criança de quatro anos que, do nada, se lembrou de mim, se lembrou que eu gosto de girafa e resolveu, por conta própria, guardar aquela para mim me faz entender que, sim, vale muito a pena.

E quando eu estava indo embora, ele foi atrás de mim até a rua e gritou:

- Cuidado pra não perder a Cecilinha, hein?

Se eu já tinha contado para ele que eu gosto de girafas? Claro que não. Criança não precisa ser avisada. Elas percebem as coisas sozinhas.



*Cecilinha é como nós dois chamamos as girafas. Ter uma piada interna com uma criança de quatro anos, não tem preço.