domingo, 22 de novembro de 2009

Os vampiros, os adolescentes e os críticos

[Não diga que eu não avisei: há um pequeno spolier nesse texto]




Outro dia li uma crítica sobre a saga Crepúsculo na qual a pessoa se dizia indignada pelo fato de a Bella não ter se transformado em vampira quando engravidou de Edward. Dizia a pessoa - que, sei lá, deve ser PHD em vampiros - que todos os fluídos do corpo de um imortal são venenosos e, portanto, era EXAGERO demais a heroína ter permanecido humana tendo espermatozóides vampiros dentro dela.

Fiquei muito impressionada com a capacidade que as pessoas tem de levar tudo tão a sério. A saga é uma história de ficção, sem compromisso nenhum com a realidade. E, nesse caso, o crítico defendia uma realidade que nem existe. Sim, amigo, sinto em lhe informar: VAMPIROS NÃO EXISTEM (o que é uma pena, os Cullens são tão lindos). O que significa basicamente que, a partir do momento em que você decide se entregar a uma leitura declaradamente fantástica não pode ficar se prendendo a detalhes "exagerados".

Mas não se sinta mal. Você não foi o único. Faz tempo que uma sequência de livros não é tão esmagada pela crítica quanto a história de Stephenie Meyer. A explicação é simples: faz sucesso. E na literatura, na música, no cinema, enfim, nas artes em geral, fazer sucesso é crime. Ser popular é sinônimo de ser bobo, vazio, raso. Chique é gostar de uma banda alternativa formada num gueto londrino, de um escritor russo que ninguém consegue pronunciar o nome (nem entender nada dos livros) e dos filmes blasè que só ficam em cartaz durante uma semana num cinema do centro.

Nada contra tudo isso. Eu só continuo defendo veementemente o que se torna popular. Porque um livro não vende 55 milhões de cópias à toa. Um dos argumentos mais levantados pelos "críticos" é que a saga vampiresca é história para adolescente. Mas isso está longe de ser um defeito. Será que as pessoas não conseguem ter a sensibilidade de pensar que adolescente detesta ler por imposição e que, se ele consegue gostar de uma série que tem quatro livros, muito provavelmente irá se abrir a outras experiências literárias?

Eu, sinceramente, espero mais é que existam muitos Crepúsculos e Harry Potters por aí. E quem tem preconceito, preguiça de coisas adolescentes etc e tal, há uma boa saída: não leia! Eu, felizmente, sou aberta a todas as experiências pois leio muito para me enriquecer culturalmente mas também para descansar, matar o tempo. Não é sempre que estou com cabeça para me dedicar a uma leitura densa. Então, foi ótimo ter estado na companhia desses quatro livros nos últimos dois meses. Achei algumas coisas esquisitas, algumas outras desnecessárias, em alguns momentos pensei "se eu fosse a autora teria feito diferente". Mas nada que me fizesse pensar que perdi meu tempo lendo esses livros. Não mesmo. Para mim, ler, em qualquer circunstância, nunca é perda de tempo.

E já que quem está na chuva tem que se molhar, ontem fui lá ver o filme de Lua Nova (a comparação entre livros e filmes é assunto para outro post, mas resumindo: o livro Crepusculo é mais legal que o Lua Nova. Já o filme Lua nova é melhor. E os dois livros são melhores que seus respectivos filmes. Normal.). Naturalmente, a sala estava lotada de adolescentes com o hormônios em ebulição. E para que ficar recriminando as meninas pelos rompantes de euforia a cada aparição de Jacob Black, o menino lobo (Taylor Lautner) sem camisa? Eu tinha mais era que concordar com elas porque né...



E ele nasceu apenas em 1992. Que absurdo! (me sinto uma tiazona)