terça-feira, 17 de novembro de 2009

REDAÇÃO



TEMA: A MINHA ESCOLA


A minha escola chama-se Colégio Santa Rita de Cássia. A primeira vez que eu fui lá eu tinha sete anos. O que mais gostei foi a piscina. Maior que todas que eu já tinha entrado. Nesse dia que eu vi a piscina eu fui fazer uma prova chamada de "prova de seleção". A professora que deu a prova falava mais alto que meu pai e chamava as alunas de "perereca". Eu não passei. Mas como eu sabia fazer contas (com os dedos) eles me deixaram entrar. Para a turma dos não-alfabetizados, mas deixaram. Eu demorei para aprender a ler porque confundia as letras que tinham desenho parecido. Mas um dia eu aprendi e li um livro chamado a Bombaboa. Adorei. Nessa época da Bombaboa eu descobri que seres humanos nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Como eu achava que meus pais ainda não tinham se reproduzido fiquei aliviada, pois sabia que eles ainda não podiam morrer. Quando eu estava na terceira série a minha professora era aquela que falava alto e chamava as alunas de "perereca". Um dia, ela mandou escrever uma redação sobre as nossas férias. Aí eu contei que a casa da minha avó tinha pegado fogo, que depois meu avô morreu e eu nem podia ir no enterro porque estava de catapora. Ela falou que eu era muito criativa. O problema é que era tudo verdade. Depois quando eu fui pra quarta série a professora mandou a gente fazer um teatrinho que tinha advogado e juiz. Achei aquelas profissões muito legais. Desisti de ser apresentadora de tevê para ser juiza de direito. Também quando eu estava na quarta série, a supervisora deixou a gente de castigo porque a gente ficava brincando no recreio. Era uma brincadeira que a gente tinha que ficar em fila e de quatro. Bom. Ela falou que aquilo era pose de acasalamento de animais. E por isso a gente tinha que ficar de castigo. Mas eu não sabia o que era acasalamento. Só depois que eu vi um episódio da família dinossauro sobre dança do acasalamento é que eu meio que entendi. Mas continuei sem saber porque a gente não podia fazer passinhos de dança de dinossauro no recreio. O ginásio era mais difícil, mas era bom porque podia escrever de caneta nos cadernos. Na sexta série eu perdi média em matemática e cheguei em casa morrendo de medo. Mas ninguém me xingou nem me bateu. Meus pais achavam que perder média era normal. Ufa. Mas nem perdi outras depois disso. O boletim ficava feio com aquela nota vermelha no meio. O caso é que eu gostava cada vez menos de matemática e cada vez mais de português. Aí quando eu estava na oitava série meu professor de história me chamou pra conversar. Ele falou que eu era boa nisso de escrever e ele achava que eu deveria ter uma profissão onde eu pudesse escrever. Aí eu desisti de ser juiza de direito para ser jornalista. Se eu não tivesse dado ouvidos a ele eu ganharia melhor. Mas seria menos feliz também. Eu passei pelo ensino médio sem nenhum sofrimento. Eu já sabia o que eu queria ser da vida mesmo. Pura sorte. Nem todo mundo estuda numa escola que te faz reconhecer o que você gosta mesma. Então eu fiz jornalismo. Esse ano, a minha escola fez 50 anos de existência. Aí, eles lembraram de mim. Tudo bem que eu já tinha saído de lá há oito anos. Mas lembraram. Então me chamaram pra fazer a revista comemorativa dos 50 anos. Aí eu fui, né? Coisa que eu não poderia fazer se eu fosse juiza. A revista ficou linda e teve uma grande festa de lançamento. Eu recebi uma medalha por ter sido uma pessoa que contribuiu para os 50 anos da história da escola. E quando eu entrei lá, pela primeira vez, eu achei que nem ia passar na tal prova. Imagine receber uma homenagem dessas. Ah, eu amo a minha escola.


A Diana, a Tatiana e eu. Na festa de lançamento da revista.



A revista é bonita.