quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Eu trabalho escrevendo e, quando estou à toa, escrevo também. Recentemente, escrevi uma história de 200 páginas, que está no meu Word e, provavelmente, lá ficará para sempre. Não me importa o que aconteça com esse texto - nem que não aconteça nada - sua obra em minha vida já está feita. Aconteceu algo que nunca havia me acontecido antes: me apeguei aos personagens . De um jeito que deu até vontade de ressucitar o personagem que já começava a história morto. (E ainda tem quem não entenda o barato de escrever. Só escrevendo eu posso ressucitar pessoas e tudo o mais que eu quiser). Talvez alguma corrente da psicologia explique esse meu apego por eu ver neles algo de mim. Pode ser. Quando eu fazia terapia, ouvi o conselho: vai canalizar essa sua criatividade escrevendo textos de ficção. Interessantíssimo exercício. Eu recomendo. Por mais que o que a gente escreva seja idiota demais para nós mesmos no futuro (como o meu livro é para mim) os personagens que a gente cria nos mostram coisas sobre nós que teimamos esconder. E, mais que isso, escrever uma ficção é como brincar de Deus. E eu, enquanto escritora, sou como eu imagino que seja o Deus no qual eu acredito: benevolente e devotado às suas criaturas. Coitada da Bárbara. Foi humilhada pelo grande amor da sua vida, foi mãe-solteira aos 18 anos, perdeu tragicamente o único amigo que te deu apoio e assumiu sua filha. Não bastasse, teve que conviver com a mentira e dificuldades financeiras, omitindo da menina, por 16 anos, que ela era filha do homem mais famoso do país. Por que eu a deixei passar por tudo isso? Porque eu sabia que só passando por tudo isso, ela daria o verdadeiro valor à recompensa que eu havia preparado para ela. Eu sabia disso porque eu a criei e a conheço melhor que ninguém. Entendem onde eu quero chegar? Escrevendo a história alheia eu entendi o funcionamento da minha história. Acatarei meus capítulos dramáticos, porque sei que sem eles não há como chegar aos finais felizes. Finais felizes no plural porque são muitos e diários. Todo dia é uma historinha. O importante é acordar com Era Uma Vez e ir dormir com Viveram Felizes Para Sempre. O que acontecer no meio disso, a gente resolve.