quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Contos da Violeta

I - O diálogo que ninguém quer ter




Dia 1:

Ele: - Eu sou muito chorão, sabe.
Ela: - Ah, que fofo. Acho fofo homem que chora.
Ele: - Ah, para! Eu morro de vergonha. Quase sempre choro escondido.
Ela: - Típico dos homens. Quando eu te ver chorar vou sair de perto, pra não te deixar sem graça, tá?
Ele: - Tá! Mas às vezes não dá para evitar. Choro muito vendo filme.
Ela: - Nossa. Então quando você tiver filhos você vai morrer de tanto chorar. Acho que não pode haver nada mais emocionante para um homem.
Ele: - É mesmo. Vou chorar muito.

Dia 2:

Ela: - Gosto de conversar com você, pois sei que posso confiar.
Ele: - Eu também gosto de conversar com você.
Ela: - Eu falo demais, às vezes. Mas é meu jeito. Falo muito, mas sempre a verdade.
Ele: - Por falar nisso, acho que omiti uma coisa. Ou menti, sei lá.
Ela: - O que é?
Ele: - Lembra que eu te disse que havia tido um relacionamento longo?
Ela: - Lembro.
Ele: - Na verdade, a gente morou juntos. Não nos casamos, mas moramos juntos.
Ela: - É, você omitiu. Mas, tudo bem. Não faz diferença.
Ele: - É que tem mais uma coisa.
Ela: - Diga.
Ele: - Filhas.
Ela: - Hahahahahahahaha. Tudo bem, adoro crianças. Adoro. Hahahahahaha.
Ele: - É sério.
Ela: - Ahan! Eu também tenho filhos. Um monte...
Ele: - Eu estou falando sério.
Ela: - Como assim?
Ele: - Uma de quatro, outra de dois.
Ela: - A gente se conhece há meses.
Ele: - É, desculpa...
Ela: - Isso foi uma mentira.
Ele: - Está decepcionada?
Ela: - Estou.
Ele: - Mas você não gosta de crianças?
Ela: - De crianças, sim. De mentira, não.


* Esse é o post inaugural da minha seção Contos da Violeta, onde vou contar os casos insólitos da vida da...Violeta!