sábado, 6 de março de 2010

Contos da Violeta

II - Encontro único



Enquanto aguardava Dionísio no mercado, Violeta observava os casais aparentemente felizes que não paravam de ir e vir, como se estivessem sincronizados e unidos pelo intuito de infernizá-la. Já nem se perguntava mais quando pertenceria àquela realidade. Estava resignada. Já nem se perguntava mais quando pertenceria àquela realidade porque sabia a resposta. Em minutos, Dionísio chegaria. Eles se beijariam e caminhariam de mãos dadas. Entrariam na dança e, estando tão bem ensaiados, até se passariam por um deles. E quem garante que todos aqueles casais eram realmente felizes? Andava tão descrente que seus critérios se tornaram torpes. Dionísio mesmo não foi escolhido por ser legal, inteligente ou bonito (embora tivesse um belo par de olhos verdes). Dionísio havia sido escolhido por se chamar Dionísio. Ela já havia se dado bem com outros dois desse nome e decidiu tentar a sorte com aquele ali. Como esperado, dançaram bem a dança do casal feliz. Não erraram nem um passo. Jantaram e, na hora da sobremesa, descobriram que tinham o mesmo doce preferido. Um sinal de que eram almas gêmeas? Claro que não. Ela não acreditava em almas gêmeas sinais. Dionísio fez jus ao nome e encerrou a noite de modo a deixar o deus grego orgulhoso. Por fim, cada um dobrou sua esquina. E ficou por isso mesmo.