quarta-feira, 24 de março de 2010

Rosa e Dourado



Quem conhece minimamente a peça sabe: Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, é um marqueteiro e tanto e sabia exatamente o que estava fazendo quando optou pela cor rosa, para a nova camisa de treino do Galo. Ele queria alvoroço, burburinho e conseguiu. E eu o entendo perfeitamente. Times de futebol não são entidades filantrópicas, são empresas que precisam de dinheiro para sobreviver. A torcida do Galo conhece Kalil e o Kalil conhece a torcida do Galo. Sabe que nós, atleticanos, abraçamos tudo o que vem do time. Não deu outra. Cerca de três dias após o lançamento da polêmica camisa, estive na maior Loja do Galo. Estava lotada. Todo mundo - homens e mulheres - atrás da camisa rosa. A polêmica, então, não foi causada pelos torcedores do Galo. E, sim, pelos adversários cruzeirenses que, naturalmente, lançaram mão de ofensas tão sem fundamento quanto previsíveis: usar camisa rosa é coisa de gay. Um amigo chegou ao cúmulo de dizer que rosa é para mulher e azul é para homem. E eu me pergunto: será que ele deixaria de sair com uma mulher por ela estar vestida de azul? É absurdo ler uma coisa dessas em pleno 2010, como é absurdo achar que "gay" é xingamento. Porque, sim, a origem da polêmica vem toda daí. Para os cruzeirenses, o grande barato da camisa rosa é poder chamar os atleticanos de bicha tendo a cor como "prova" disso (argumento besta que não é privilégio só dos cruzeirenses, mas de todas as torcidas de futebol). Só queria saber onde está escrito que rosa é cor de mulher (ou gay) e azul é cor de homem (ou sapatão) e que bicha é xingamento e ser homessexual é falha de caráter.




Não está escrito em lugar nenhum. É apenas o mau e velho preconceito, muitas vezes, alimentado pelos próprios gays. Está aí o famigerado Big Brother que não me deixa mentir [se você odeia BBB pode parar de ler meu texto por aqui, porque falarei do programa daqui pra frente]. A 10ª edição do programa, que está a menos de uma semana da final, deve ter sido uma das mais turbelentas. Brigas e mais brigas, desde a primeira semana. Mas, acredito, nada que se compare ao embate entre Dicésar (o drag queen) e Dourado (o lutador, supostamente homofóbico). Ontem mesmo, após a exibição do programa ao vivo, os dois travaram mais um duelo e, do nada, Dicésar começa a berrar que é gay com muito orgulho. Mas Dourado não havia mencionado - nem insinuado - nada que tivesse a ver com a opção sexual de Dicésar. E esse foi o tom de todas as brigas dos dois. Dicésar não aceita que Dourado não possa gostar dele por ele ser falso, fofoqueiro ou, simplesmente, por não ir com sua cara. Para Dicésar está cravado na pedra que Dourado não o suporta por ele ser gay. E quem está sendo homofóbico na história, definitivamente, não é Dourado. Dicésar faz aquilo que, infelizmente, muitos gays fazem: alimenta a intolerância alheia resumindo a sua existência ao fato dele ser gay. Ele fala tanto em discriminação, mas ele se discrimina. Porque se Dourado começasse a berrar no meio de uma briga "sou heterossexual com orgulho", seria preconceito. Mas Dicésar pode. Por que ele pode? Por que ele é diferente? Uai, mas ele não luta para ser igual? Não entendi, nem nunca vou entender!



p.s.: Acho lindo homem de camisa rosa.

p.p.s.: Não tenho peça de roupas azuis. E não é porque eu ache que seja cor de macho ou porque seja a cor do Cruzeiro. Eu não gosto de azul, tipo eu não gosto de sorvete. Simples assim.

p.p.p.s.: Sou telespectadora assídua do BBB desde sua primeira edição. E não acho que isso me emburreça ou me desmereça em alguma coisa. Eu gosto de BBB, tipo eu gosto de pão de queijo. Simples assim.