domingo, 28 de março de 2010

Você é virgem de quê?



Essa não é mais uma viagem da minha cabeça. Foi uma questão levantada no Twitter pelo Pedro Bial e, a princípio, não entendi o que ele quis dizer. Com preguiça de pensar, me limitei a concluir: "nem de signo". Mas a pergunta não ficou satisfeita com a minha resposta e não parou de martelar até que eu compreendesse.

Até semana passada, eu era virgem de fralda, por exemplo. Mas aí, cumprindo minha função de madrinha, fiquei encarregada de tomar conta de Bernardo por um dia. Depois que eu entendi que ele gostava de brincar com celular, controle remoto, mouse e tampa de panela - e não com girafas de pelúcia - nosso relacionamento passou a fluir superbem. Até que veio a crise. Sempre haverá uma crise, mesmo o outro sendo um bebê de onze meses. Eu senti o cheiro e não quis acreditar. Fui conferir com os próprios olhos - e nariz devidamente tampado - e batata! Ou melhor: cocô! Eu, que nunca havia trocado uma fralda na vida, tive que fazê-lo. Assumo! Cogitei fazer vista grossa e esperar um adulto aparecer. Mas tive dó e também me lembrei que eu sou uma adulta. Não é fácil trocar uma fralda, prendendo a respiração e tentando fazer o "conteúdo" não rolar pela cama. Mas, bem ou mal, eu consegui e recebi um sorriso gostoso e um apertão de nariz como gratidão. Não sou mais virgem de fralda.

Mas sou ainda de tantas outras experiências. Sou virgem de andar a cavalo. Sou virgem de pular de bungee jump. Sou virgem de dirigir à noite. Sou virgem em italiano, francês, japonês. Sou virgem de cozinhar para alguém. Ou melhor. Sou virgem de cozinhar. Sou virgem de usar botas coloridas. Sou virgem da Europa. Sou virgem dos filmes que não vi, dos livros que não li e dos amigos que ainda não fiz. Sou virgem de tatuagem. Sou virgem de cortar o cabelo curto. Sou virgem de esquiar. Sou virgem de ter uma coleção de selos (e talvez morra virgem. Acho bom pra minha alma morrer virgem de alguma coisa, né?). Sou virgem de escrever um livro de poesias. Sou virgem de namorar um estrangeiro. Sou virgem de desfilar numa escola de samba. Sou virgem de ir à praia de maiô. Sou virgem de comida indiana. Sou virgem de conseguir encher um cofrinho. Sou virgem de ir numa cartomante. E de mais um punhado de coisas.

Acho que eu entendi: a vida é uma virgem a ser deflorada diariamente.