quarta-feira, 21 de abril de 2010

You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one

Esse negócio de falar que não podemos desistir dos nossos sonhos, que se a gente lutar tudo pode acontecer e que quem acredita sempre alcança pode parecer, aos olhos dos descrentes, um amontoado de clichês inventados para motivar a venda de livros de autoajuda. Pode ser que seja mesmo. Mas uma coisa é fato - e podem me chamar do que vocês quiserem, tô nem aí: não existe a menor possibilidade dos nossos sonhos darem certo se não for por nossos esforços. E, se vale a pena lutar por um sonho por um, dois, dez, vinte ou trinta anos, aí é com cada um. Eu acho que meu sonho vale toda luta. E os de vocês?

Tudo bem. Confesso. Às vezes penso que meu sonho (aquele de escrever, escrever e escrever) não vale nada. Mas, desde ontem, quando entrevistei o artista plástico Fernando Vignoli tenho acreditado que vale apostar todas as minhas fichas, todos os meus anos e todos os meus esforços.

Fernando Vignoli nasceu em Belo Horizonte e foi aqui mesmo que, durante anos, muitos anos, tentou se fazer entender por meio de suas impressionantes telas surrealistas (telas que deixaram até a mim, uma analfabeta em artes plásticas, totalmente embasbacada). Mas são poucas as pessoas que tem a sensibilidade de apreciar a arte do cara que mora ao lado da sua casa. Então, em 2003, levando pouquíssimo reconhecimento na bagagem, ele resolveu tentar a sorte em Nova Iorque. Pra encurtar a história, o que ficou despercebido por aqui, passou a ser disputado por estrelas norte-americanas do alto escalão (tipo Madonna, sabe como?). Hoje, mais de vinte de suas obras estão expostas fixamente, na prefeitura de Manhattan (e não na cidade de Belo Horioznte, onde ele nasceu. Doce ironia). Já expos nas galerias e museus mais famosos do mundo. Está preparando uma exposição especial para a ONU. Chegou num ponto que, hoje, ele escolhe quem são os colecionadores do mundo que terão o privilégio de adquirir uma obra sua. Entederam? Ele ESCOLHE. Escolhe aqueles que terão uma das telas onde ele expressa uma vida cheia de tragédias (sim, porque eu encurtei essa parte também) transformadas em arte.

É por coisas assim que, mesmo quando eu realizar meu sonho de viver de escrever o que eu quiser, ainda continuarei a trabalhar como jornalista. Porque é o jornalismo que me dá a chance de conhecer gente como Fernando Vignoli. Essas pessoas danadas que fazem a gente acreditar.