terça-feira, 18 de maio de 2010



De todas as frases-feitas, não há nenhuma com a qual eu concorde mais do que aquela que diz que "de perto ninguém é normal". Falo me baseando na análise do comportamento da pessoa a quem eu mais conheço de perto: eu! Às vezes me pego pensando e fazendo coisas que, certeza, seriam julgadas como "anormal" ou como "loucura". Mas, se de perto ninguém é normal (e aqui ninguém é ninguém mesmo), quem julgasse minhas atitudes estaria empurrando para debaixo do tapete suas próprias estranhezas (que talvez fossem julgadas como "loucuras" por mim).

Pense em suas estranhezas, assim como eu estou pensando nas minhas. Imagine, por causa delas, você ser trancafiado numa jaula como se fosse um bicho, em condições sub-humanas, sem contato com o mundo aqui fora, sendo submetido a tratamentos de choque e outras covardias mais. É de enlouquecer qualquer um quando, na verdade, o objetivo deveria "desenlouquecer".

Tenho pensado nisso pois fiquei muito abalada com a visita que fiz ao Museu da Loucura, na cidade de Barbacena-MG, nesse fim de semana. Ver as fotos daquelas pessoas que estiveram internadas nos famosos manicômios da cidade (algumas durante a vida inteira) me deixaram profundamente angustiada. É como estar preso por um crime que não cometeu.

Com a diferença de que nós sabemos, por lei, o que é crime. Mas nunca saberemos, afinal, o que é loucura. Imagine se não houvesse definição do que é crime na sociedade e, de repente, você fosse preso por estar passeando com seu cachorro na rua, porque alguém que não gosta de cachorro considerou aquilo um crime.

Com a loucura me parece que é assim. Pessoas capazes de escrever relatos assutadoramente lúcidos (como os que eu li no Museu da Loucura) são enjauladas por terem um comportamento dito fora do padrão quando, na real, ninguém sabe que padrão é esse.

É triste, muito triste. Mas já melhorou muito. É urgente, no entanto, que melhore ainda mais.



18 de maio. Dia da Luta Antimanicomial.