quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quando chega a noite, e você pode chorar

Estou cada vez mais certa de que algumas pessoas - por melhores que elas sejam - estão fadadas a passarem seu tempo aqui na Terra sozinhas. Sim, solteiras. É disso que eu estou falando. E estou cada vez mais certa ainda de que eu sou uma dessas pessoas. Apenas algo maior - como um fardo, uma sina, um karma, sei lá - explicaria o fato de eu ter chegado aos 26 anos, oito meses e dois dias sem nunca ter conseguido manter um relacionamento por mais de meses. E digo mais: não é que eu não consegui manter. Eu aguento cada tranco, por que não daria conta de um namoro? Não conseguiram manter um relacionamento comigo. Motivos? Bom, aí é que tá. Eu não faço a menor ideia. Acho de um egoísmo tremendo que todos aqueles que tenham passado pela minha vida tenham saído sem me dar um motivozinho que fosse. "Você é louca", "Você é chata", "Você é feia", "Você tem um olho maior que outro", "Você é jornalista", "Você dorme com a boca aberta", "Você dorme com a boca aberta e baba". Qualquer coisa que fosse. Qualquer pista que me apontasse o caminho a não ser seguido da próxima vez. Na-da! Muito pelo contrário. Todos (T-O-D-O-S) aqueles que tiveram a chance de me dispensar saíram da minha vida dizendo que se interessam muito por mim fisicamente (se é que vocês me entendem), que me acham engraçada, que me acham espirituosa, que me acham bonita, que me acham inteligente (aliás, nessa parte, eles elaboram muito. Creio que me achem mesmo muito inteligente. Até suspeito que talvez esse seja meu defeitão-espanta-homem), e, claro, que me acham uma ótima amiga. Aliás, o mundo inteiro me acha uma ótima amiga. Mas atenção, mundo inteiro: estou pouco me lixando para outras amizades além das que eu já tenho. Sobretudo as masculinas, ok? Não me interessa. Já sou feliz com os amigos que tenho. Mesmo porque eu não faço amizade com gente hipócrita e eu realmente nunca acreditei quando me disseram que sou bonita, engraçada, inteligente e blábláblá. Se eu fosse tudo isso, talvez eu estivesse a altura de algum desses maravilhosos homens que passaram pela minha vida. Acho falso, patético e deprimente quando, mais uma vez, começam a ladainha elogiosa pra cima de mim. Me xinga, inferno! Me joga na cara meus defeitos! Ao menos assim vai fazer algo de útil na minha vida. Percebem em que ponto cheguei? O ponto da paciência zero. Descobri, vivendo a minha sina, que estar sozinha não é ruim. Não mesmo. Me aprimorei e, cada vez mais, vivo melhor assim. Sou dona do meu nariz, gasto meu dinheiro só comigo, posso fazer planos sem me preocupar com a opinião de ninguém. Mas eu tenho medo. Eu tenho medo porque não é isso que quero pra minha vida toda (vide post anterior). O problema é que, agora, para eu abrir mão de todo o fernanda's way of life vai ter que ser por um amorzão, amorzaço, sabe como? Não serve paixonite, não serve gente moita. Não serve gente sem atitude, que joga uns verdes de vez em quando (um, dois, três isola!). Só serve gente incisiva, só serve gente que me queira muito, demais, absurdamente e lute por isso. Do contrário, prefiro ficar sozinha. Ainda que isso me custe algumas lágrimas quando começam as propagandas de dia dos namorados.



p.s.:  Antes que conjecturem eu aviso: nem grudenta, ciumenta e pegajosa eu sou. Vai ver esse é meu problema.
p.p.s.: Deixo tudo no blog. Porque na vida eu me encarrego de ser bem felizinha, pra não incomodar ninguém.