terça-feira, 1 de junho de 2010

Amigas



Tem gente que fala que amizade entre mulheres é complicada. Que mulher compete muito. Que é muita vaidade junta etc e tal. Pra mim isso é papo de homem ou de mulher que nunca teve uma amiga de verdade. Eu, graças a Deus, tenho algumas, não sei como seria minha vida sem elas e não faço a menor questão de saber.

Não é simples assim dizer o que as torna tão fundamentais para mim. Mesmo porquê, são pessoas completamente diferentes entre si. E cada uma, ao seu modo, faz coisas incríveis por mim (e, às vezes, elas nem têm noção disso). Mas, o que todas elas têm em comum é que, no fundo, cada uma das minhas amigas é uma espécie de "outro eu". É por isso que quando elas sofrem, eu choro. Quando elas estão felizes, eu rio. Quando elas estão apaixonadas, eu solto corações.

Por todas as afinidades que nos uniram, por todas as diferenças que nos completam, eu consigo me sentir no lugar delas e sei que elas também se colocam no meu lugar, quando preciso. Com uma vantagem: ao me ver no lugar de uma amiga, eu me vejo de fora. Portanto, eu consigo ver a vida delas com uma clareza muito maior do que eu consigo ver a minha própria vida.

É por isso que quando eu vejo alguma amiga em uma situação que me desagrada, tenho vontade de ir lá e sacudí-la, até que ela perceba que está fazendo uma besteira (e, às vezes, eu faço isso mesmo). E aí elas me dizem: "mas você faria a mesma coisa se estivesse na mesma situação". Sim, faria. Mas eu posso me machucar! Minhas amigas não! E eu me machuco, pois não olho para eu mesma com a proteção que olho para elas.

Uma das minhas melhores amigas, que certamente irá ler esse texto, sabe do que eu estou falando. A coitada leva minhas broncas quase todos os dias e, eu já avisei: vai continuar levando enquanto eu não vê-la feliz. Eu não odeio ninguém. Mas tenho raivinha de algumas pessoas. Sendo que a pessoa que mais desperta minha raiva, minha ira, minha vontade de cometer um ataque de spray de pimenta nos olhos, é um cara que há anos empacou na vida dessa minha amiga. Eu nunca o vi pessoalmente, nunca conversei com ele e não sei nada sobre sua vida, além do fato dele ser um folgado, um egoísta, um cara de pau, um horroroso (por dentro e por fora) que se aproveita dos bons sentimentos que minha amiga (vai entender) nutre por ele. Então, eu sinto por ele o nojo que eu gostaria que ela sentisse. Mas eu sei que não é assim, eu sei que transplantam coração, mas não sentimentos. Gasto minha energia tendo raiva de alguém que não faz diferença na minha vida, simplesmente por que não consigo ficar alheia à vida da minha amiga. Meu outro eu.

Faço isso por elas, porque sei que elas fazem isso por mim também. Dou minhas sacudidas, porque sei que elas me sacudirão quando eu for a hipnotizada da vez. Porque elas me veem de fora. Elas me veem com amor. Elas me veem de um jeito que mesma seria incapaz.