terça-feira, 6 de julho de 2010

Cigarro é a coisa mais cafona que existe

Outro dia levei um susto quando descobri que um dos homens mais bonitos que conheço fuma. Bonito não, lindo! Quando o vi pela primeira vez quase fiquei em choque. Como podia um cara lindo daqueles estar ali, no meu convívio profissional, e não nas páginas de campanhas publicitárias de revistas internacionais? Mas estava, com toda a sua beleza e sagacidade. Bem vestido, cheio de boas ideias, altamente desenvolto e bastante culto. Até que um dia, após uma reunião, ele me acompanhou até a porta e eu, iludida, achei que fosse uma gentileza, mas não. Ele apenas estava saindo para a área externa para fumar. Fiquei completamente atônita quando o vi tirar o maço de cigarros do bolso e acender um, sem o menor pudor, bem na minha cara. Porque os fumantes são assim. Despudorados, inconvenientes e bregas. Muito bregas.

Me desculpe se você é fumante, mas você é brega. O cigarro é capaz de desconstruir qualquer imagem interessante. Aliás, ele é capaz de desconstruir principalmente as imagens interessantes. Ver um moleque de doze anos fumando na rua é aflitivo, mas um pouco mais compreensível. Um moleque de rua não tem referências, não tem conhecimentos, não tem opções. Mas o empresário lindo e culto tem tudo isso e - que merda! - fuma também. E em pleno 2010! Que coisa mais ultrapassada.

Eu não sou dada a fazer certas coisas só porque é style ou só porque todo mundo está fazendo. Eu faço o que eu gosto e o que eu gosto pode estar na moda, ou não. Por isso, acredito que seria contra o cigarro mesmo se fosse adulta lá nos anos 80, quando essa bobagem era glamurizada. Mas talvez, naquela época, eu seria mais complacente com os fumantes. Agora, ver pessoas começando a fumar nos anos dois mil é algo que realmente não dá para entender.

Provavelmente muita dessa minha aversão ao cigarro se deva ao fato de meu pai - que fumou durante 45 anos - hoje sofrer de uma enfisema pulmonar severa. Mas não é só isso. Quando criança, eu tinha aquela ilusão de que meu pai era o cara mais forte que existia no mundo e ao vê-lo, anos depois, fumando escondido mesmo sem quase conseguir respirar, eu descobri que, na verdade, ele é uma das pessoas mais fracas que eu conheço. E me doeu muito sentir pena do meu próprio pai. Ou seja, o que me enoja mesmo no cigarro é isso: a sensação de pena que sinto por quem sucumbiu. Isso vale para meu pai e para todos aqueles que vejo fumando. Sobretudo os cheios de pose. Como o bonitão do início do texto. Eu o achava o máximo. Hoje, o acho um fraco. E brega, muito brega.