sexta-feira, 2 de julho de 2010

Desabafo de uma brasileira, que não desiste nunca

Hoje eu acordei superestranha. Sempre acordo estranha quando tenho sonhos muito reais. Acordo com a nítida sensação de que o que sonhei já aconteceu. Foi assim quando meu pai sofreu o acidente. Sonhei com isso naquela noite inteira e, quando o telefone aqui de casa tocou, eu sabia que era algo com ele. Pois essa noite sonhei com bandeiras do Brasil jogadas no chão - era na areia, mas não tenho certeza se era uma praia - e pessoas chorando. Quando abri o olho, falei para minha irmã: o Brasil vai perder. Falei sem pensar, pois não suporto gente agourenta e suporto menos ainda a ideia de ter sonhos premonitórios.

Ainda assim, vesti minha camisa amarela e sentei com a família na sala. Hoje, definitivamente, não era dia para farra, como nos outros jogos. Quando Brasil fez o gol, alívio. Estávamos dentro e tudo não havia passado de um pesadelo bobo, feio e chato. Mas sonhos se concretizam. E pesadelos também.

Estou bastante triste e tenho certeza de que a maioria esmagadora das pessoas irão me entender. Quanto à minoria, realmente, não a compreendo. Não gosta de futebol? Ok. Se simpatiza por outra seleção? Ok. Mas torcer contra o Brasil? Que sentido há nisso? Há o sentido de ser do contra e, é fato, há quem viva só por esse prazer. O Brasil tá cheio de problema e questões muito mais relevantes a serem discutidas do que uma escalação para uma Copa. Certo, entendo. Mas, você, que torce contra o Brasil alegando que o futebol não é o mais importante, você está fazendo alguma coisa para mudar aquilo que realmente julga importante? Tenho certeza que não. Então, festeje um pouco. Tire essa carranca na cara. Deixe o povo ser feliz em paz, ao menos por um segundo. E, no caso do agora, deixo-nos chorar nosso luto em paz, ao menos por um segundo.

E sem essa que agora vai poder trabalhar sossegado. Conta outra, que você também estava adorando ser liberado mais cedo. E digo mais, aposto que é um entusiasta da seleção brasileira enrustido. Mas pega mal para você assumir isso. Ser do contra é mais cool.

Por fim, minha opinião sobre seu argumento derradeiro: "eu não ganho nada com o futebol". E quem disse que alegria vale mais do que dinheiro? Se o Brasil ganhasse, eu não ficaria mais rica, mas ficaria mais alegre. Eu e 200 milhões de pessoas. E, na minha modesta opinião, viemos ao mundo para ficarmos alegres e sermos felizes. Não para cumprir horários rigorosos em escritórios e acumular dinheiro para nada.

Viva o futebol! Viva o país do futebol! Viva 2014! Vai ser lindo o hexa em pleno Maracanã.