segunda-feira, 12 de julho de 2010

"O amor pede passagem" é mais um filme que ganhou um nome idiota na tradução para português e é também mais um filme com um ótimo trailer (o talento dos que fazem trailer é inversamente proporcional ao talento dos que traduzem os títulos). Naturalmente, o que me levou a pegá-lo na locadora esse fim de semana foi o trailer, que vi algumas vezes, e não esse nome idiota. No fim das contas, não era tão bom quanto o trailer vendia, nem tão ruim quanto o nome acusava. Um filme normal, eu diria, mas a essência da história vale um reflexão.

Toda a narrativa se desenrola a partir das peripécias de Mike para conquistar sua amada Sue. Ela, uma mulher de negócios, que trabalha viajando e com alguns traumas amorosos. Ele, um cara do interior, que vive com os pais e que ainda se mantêm ingênuo. É essa ingenuidade que o leva a cruzar o país indo atrás dela, sem, nem por um minuto, parar para pensar se ela tem namorado, se ela o achará um louco, se ela não o receberá. Ele simplesmente faz. Faz o que sente que deve fazer.

Eu sei que é coisa de filme, mas isso deveria ser coisa de vida. Porque simplesmente fazer é tão mais fácil, exige tão menos de nossas energias. Mas, pra quê simplesmente fazer se a gente pode jogar, não é mesmo? Eu quero ligar, mas não vou porque se eu ligar ele vai achar que estou muito interessada. Eu quero aceitar todos os convites dele, mas não posso, pois não quero parecer uma pessoa sem vida social. Eu quero conversar com ele no MSN o dia todo, mas vou bloqueá-lo porque não posso deixar transparecer minhas carências. Que palhaçada é essa? Quem foi que inventou essas regras? Por que somos obrigados a nos esconder atrás dos nossos desejos? Pra quê perder tanto tempo fazendo cena e armando situações?

E sabe o que é mais triste? Isso só vai se agravando com o passar do tempo. Quanto mais velha é uma pessoa, mais traumas ela acumula, mais vícios de relacionamento ela tem, mais cartas na manga ela guarda. E quem tem muitas cartas na manga, quer mais é ir pro jogo. Quando, na verdade, legal mesmo seria, pular essa parte patética, e ir logo pra vida.