sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A sorte foi lançada...e eu a agarrei

No último amigo oculto dos Pinhos, meu tio, que havia me tirado, se referiu a mim como a pessoa mais pé frio da família. Ele estava fazendo um jogo do contrário, todo mundo sacou e logo sabiam que ele havia me tirado. "A Nanda é que tem sorte" é praticamente um bordão da minha família, desde que eu me entendo por gente. E eu tenho mesmo. Como eu acredito muito em energias e na força do pensamento eu acho que eu tenho sorte exatamente pelo fato de todo mundo acreditar na minha sorte o que, por consequência, me faz acreditar também. Só o fato de eu ter família, amigos, saúde, profissão, emprego, casa, comida e roupa lavada seria o bastante para eu me considerar uma pessoa de sorte. Mas não é só isso. Até porque eu sou um ser-humano - ingrato como todos os outros - e nunca acho que "só isso" seja o bastante.

A alcunha de sortuda foi se consolidando com pequenos feitos conquistados desde bem pequena. Quando eu tinha três anos (sim, TRÊS), a febre do momento eram as tampinhas premiadas da Coca-Cola. Todo mundo queria tirar uma tampinha, ganhar alguma coisa. Mas é aquele negócio: ninguém achava um tampinha premiada, nem conhecia quem achasse. Até que um dia, andando na rua, peguei uma tampinha no chão e mostrei pra minha mãe: "Mãe, por que tem um desenho na tampinha?". E aos três anos eu ganhava um skate. Meu primeiro prêmio de promoção ou sorteio.

Ainda criança eu ganhei uns presentes de uma rádio, numa promoção do dia do amigo, e vários prêmios no bingo que tinha na Vila Olímpica (clube do Galo). Toda semana nós íamos, toda semana tinha bingo, toda semana eu ganhava. Aos 15 anos eu ganhei a viagem pra Londrina para ver o show dos Paralamas e Titãs, depois de um tempo ganhei uns presentes titânicos da revista da MTV e, por falar em MTV, em 2003 ganhei o direito de apresentar o famigerado Fanático MTV.

Com esse negócio de ganhar sempre, as pessoas ficavam me pedindo para que eu me inscrevesse em sorteios, jogasse na Megasena, essas coisas. Mas não é assim. Porque eu só ganhava quando queria muito. Por isso nunca ganhei nada de tanto valor econômico. O que ganhei sempre era de valor sentimental. Coisas que eu queria muito e não duvidava de que ganharia. Como a promoção para ir ao show do Coldplay, em São Paulo. Eu nem queria tanto ir, mas a minha irmã queria demais. Então eu participei (a contragosto da minha mãe, pois sabendo da minha sorte ela me proibiu de participar pois ela não queria que viajássemos pra São Paulo) e ganhei. Ganhei porque eu mentalizei que tinha que ganhar por ela. Fomos, tivemos nosso dia de rainha e foi lindo.

Ganhei também para ver um Pop Rock de cima do palco, no Mineirão. E ganhei também pra ir no U2, também em São Paulo. Enquanto a maioria das pessoas se esforçou, enfrentou horas nas filas pra comprar ingresso e tudo mais eu, simplesmente, ganhei o pacote completo (passagem, hospedagem e ingresso) da minha amiga Beta. Porque eu tenho sorte pra spromoção e sorte de ter os melhores amigos do mundo.

E tenho sorte no trabalho também. Como sempre tive na faculdade e no colégio. Sabe aquele negócio de só cair na prova o que eu estudei? Sempre aconteceu! Sempre! E quando eu não estudava, acontecia alguma coisa sobrenatural e eu escapava da prova. Tipo na prova final sobre logaritmo. Eu não tinha estudado, simplesmente porque eu não entendia nada (NA-DA) daquilo. Não adiantava estudar. Mas aí eu passei mal na madrugada anterior, fui pro hospital, ganhei um atestado e não fiz a prova. Como já era fim de ano, não dava mais para repetirem a prova pra mim. Então me fizeram uma regra de três com as notas que eu já tinha e eu passei. Sem nunca na vida ter feito uma prova sobre logaritmo.

E no trabalho é assim que funciona. Sempre que eu estou apertada com alguma coisa - TCHANAM - acontece algo e a coisa se resolve. Claro que eu fiquei um pouco descarada e ultimamente, quando estou no aperto, chego ao ponto de parar e pensar: ah, daqui a pouco se resolve mesmo, nem vou ligar.

E sempre dá certo. Porque sorte é um negócio que vem de dentro pra fora. Porque se você se acha o azarado, você vai ser o azarado eternamente. Eu me acho sortuda, tenho desfrutado disso e não duvido que ainda terei muitas provas de sorte na vida. Inclusive a sorte de um amor tranquilo porque, ó, tô nem aí pra esse papo de sorte no jogo azar no amor. Não acredito nisso, porque minha sorte não é seletiva. E também não acredito que sexta-feira 13 (e de agosto!) seja dia de azar. Azar é igual fantasma. Aparece pra quem acredita.