terça-feira, 7 de setembro de 2010

Contos da Violeta

IX - Independência



Quando escreveu para X pedindo que para se afastassem definitivamente, Violeta sabia que estaria provocando uma imensa dor nela mesma. Mas a tal da vozinha interior insistia que era aquilo o que deveria ser feito e, mesmo sem concordar, Violeta seguia a tal voz, como se estivesse hipnotizada. Acontece que a voz instigava e prometia. Havia uma promessa de recompensa naquela ideia fixa de se afastar do garoto. E por isso, quando clicou em enviar, Violeta se viu arrebatada pela dor e pelo alívio, que nunca haviam convivido tão harmoniosamente.

Quanto tempo deveria esperar até que viesse a recompensa? Dez dias. Ela ainda não sabia. Mas eram apenas dez míseros dias. No décimo dia houve música, dança, álcool e, num momento de descuido, Violeta se pegou pensando que, se não tivesse ouvido a maldita voz, X poderia estar ali com ela. Sorte é que existem os garçons e as taças de espumante para interromper oportunamente esse tipo de pensamento. Um gole. Outro gole. Uma virada prum lado. Uma virada pra outro. Um olhar correspondido. E um novo e libertador pensamento: que bom que X não aqui (nem em lugar nenhum). E então Violeta entendeu sua recompensa e não poderia ser melhor: independência.