quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A gente quer inteiro e não pela metade

Ainda acho o jornalismo uma profissão fascinante. Ainda me emputeço quando, por falta de argumento melhor, vejo as pessoas colocando na conta da imprensa a culpa por todos os problemas do mundo ("a culpa é da imprensa" é o novo "a culpa é do governo"). Ainda acho que não saberia fazer outra coisa diferente do que faço. Entrevistar, apurar, lidar com pessoas diferentes todos os dias, aprender coisas novas, ser um "especialista em variedades" e, além de tudo isso, escrever, escrever e escrever. É isso o que me move e é isso o que muitas vezes me salva. Mas, se fosse eu uma pessoa apta a dar algum conselho que fosse a alguém, esse conselho seria: podendo escolher, não seja jornalista.

Quando estamos na faculdade acreditamos, tolamente, que vamos viver de ideologias e de amor à profissão. Obviamente, não é assim que funciona. Você pode até amar o seu trabalho e ter lá suas convicções. Mas não é isso que vai pagar as suas contas no fim do mês. Nem isso e nem os elogios que você recebe. Eu, sinceramente, estou farta dos elogios. Quando a gente começa, a gente se empolga ao ouvir as pessoas dizendo que adoram o seu trabalho. Depois você percebe que tudo não passa de uma artimanha capitalista. Um jeitinho de passar a mão na sua cabeça e te deixar mais condescende na hora de cobrar pelo seu serviço. Os mesmos que dizem que seu texto é primoroso são os que vão te comunicar que haverá redução de gastos na comunicação. Os mesmos que falam que você é a parceira ideal de trabalho são os que vão solicitar um precinho camarada.

O interessante é que, para um veículo circular, muitos serviços precisam ser prestados e só o jornalismo precisa abrir as pernas. Se a gráfica fica mais cara, compensa cortando no investimento em jornalismo. Vejo coisas do tipo acontecendo a todo momento e me sinto profundamente magoada e desrespeitada. Porque eu sei o quanto eu me esforço para ter o tal texto primoroso e ser a parceira ideal de trabalho. As pessoas desvalorizam nosso trabalho como se ele fosse fácil de ser realizado. Acha fácil? Então faça você mesmo. Aí eu quero ver...


p.s.: Desabafo por não ter outra saída. No fim das contas, continuo fazendo todos os meus trabalhos com todo amor do mundo. Sou mulher de malandro mesmo. Jornalista e atleticana. Queria o quê?