quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sobre pessoas que não sabem conciliar amizade e namoro

Quem acompanha meu blog já deve ter notado que frequentemente eu comento que me acho uma pessoa de sorte por ter os amigos que eu tenho. E sou mesmo, por uma série de motivos, que eu poderia passar posts e mais posts citando. Mas hoje quero falar sobre um assunto específico. Posso me considerar sortuda porque meus amigos não mudam de personalidade quando estão namorando (ou mesmo depois que se casam). E, sinceramente, quando alguém me conta alguma história desse tipo fico chocada. Primeiro porque, de fato, mudar de comportamento por causa de namorado/namorada é algo que não faz parte da minha vida. Segundo porque eu não consigo entender o que leva alguém a abrir mão de amizade, personalidade e vida própria em função de outra pessoa. Se você chama isso de amor, me desculpe. Eu chamo de idiotice.

Dia desses ouvi, embasbacada, uma série de absurdos narrados por uma pessoa muito próxima a mim (vamos chamá-la de A), em relação a uma (ex) amiga sua (vamos chamá-la de B) que, desde que começou a namorar, parece ter entrado numa espécie de transe que lhe impede de interagir com o resto da sociedade.

Tudo bem. Eu já conhecia B antes e nunca achei que fosse a pessoa mais espontânea e extrovertida do mundo. Mas o que era apenas um traço de personalidade parece que virou uma doença com o namoro. A e B estudam na mesma faculdade, eram amigas íntimas, estavam sempre juntas, se falavam ao telefone diariamente. Enfim, mesmo sendo tímida, B vivia como uma pessoa normal. Até C entrar na jogada, os dois começarem a namorar e criarem uma espécie de bolha em volta de si.

Uma bolha impenetrável. Principalmente por A. Sem razão aparente, ao começar a namorar, B excluiu A de sua vida. Para B, não basta ficar grudada no namorado o dia todo, não basta conversar com ele o dia todo, não basta estudar com ele. É preciso estar grudada, conversar e estudar SÓ COM ELE. B criou uma ilusão de que os dois no mundo são autossuficientes. Não precisam de ninguém, nem nunca vão precisar. Afinal, eles tem um ao outro. E quando A me contou os vários fatos dessa trama, fui me enchendo de pena por B. Muita pena mesmo. É muito triste ver uma pessoa bitolada por uma situação, seja ela qual for. É muito triste ver uma mulher ser tão insegura a ponto de não deixar que ninguém se aproxime de seu namorado (principalmente A que é mais bonita, mais inteligente, e provida do dom da comunicação). É muito triste ver alguém jogar fora uma relação concreta por um causa namoro que, como sabemos, é algo que vai e vem. É muito triste - e inacreditável - saber que uma pessoa estuda numa faculdade e é incapaz de dar BOM DIA, a qualquer um que não seja o namorado.

Fico pensando que futuro terá essa menina. Das duas uma: ou vai ser largada a qualquer momento, porque haja saco pra aturar tanta obsessão, ou vai acabar infeliz ao lado de um marido que vai tratá-la como aquilo que ela nasceu pra ser: um capacho. E capacho é assim: mudo, sem graça e com vocação pra ser pisado.

Talvez num desses momentos ela precise de A para conversar. Mas aí será tarde demais. B não percebeu, mas enquanto estava na bolha, A escapou de sua vida e continuou seu caminho. Vivendo seu namoro saudável (porque, sim, A também tem seu namorado, mas é uma relação normal), trabalhando e conseguindo cada vez mais êxito (porque não nasceu grudada ao namorado e precisa fazer seu próprio caminho) e curtindo as velhas amizades e conquistando novas (porque não tem medo de se aproximar das pessoas e perder o namorado).

Então restaria a B procurar suas outras outras amizades. Se elas existissem...