segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O assaltante e o carrapato

Duas semanas atrás:

Eu estava caminhando por uma avenida movimentada do bairro Sion, zona sul de Belo Horizonte, por volta das duas da tarde, quando fui abordada por um meliante.

- Me dá dinheiro!
- Num tenho, moço.
- Me dá dinheiro.
- Num tenho, moço.
- Tem, sim, desgraça. - Ele disse nada simpático, enquanto apertava meu braço e me encurralava na parede.

Com medinho, abri minha bolsa e tirei uma bolsinha de dinheiro, onde tinha uns R$ 30 e poucos e passei pro meliante. Maaaas, logo depois de passar a grana, me lembrei de que eu estava com cólica e meu remédio estava lá dentro também. Então, resolvi tentar a sorte.

-  Peraí, moço, deixa eu pegar meu comprimido aí dentro?

E, olha que legal, ele deixou. Peguei meu remédio e vazei.

Uma semana atrás:

Depois de passar o fim de semana num sítio, notei que uma nova pinta havia surgido na minha barriga. Mas não era uma pinta simples. Era uma pinta preta, gorda e já parecia estar despencando, mesmo sendo recente. "Pinta cancerígena", concluí no ato. O triste é que eu estava com uma doença grave e não tinha ninguém em casa para partilhar comigo meu drama. Então, decidi esconder o problema, tampando a pinta com um pedaço de micropore. Mas era algo preocupante demais para eu me esquecer, assim, com um simples curativo. Eu não conseguia parar de pensar no assunto. Chamei, então, minha amiga Loreyne no MSN e lhe expliquei todo o drama. Antes que eu precisasse contar todos os pormenores, ela diagnosticou: "É carrapato". Ufa! Fiquei aliviada. Que eu saiba carrapato não é uma coisa grave. Ou é? Recorri ao Google. E, para meu desespero, aquelas imagens não condiziam em nada com a aquela coisa que havia nascido na minha barriga. Baseado nisso concluí que minha amiga estava enganada. "Loreyne, é uma pinta pequena. Não é tipo a da Angélica. Carrapato parece mais barata". Ela ainda tentou argumentar dizendo que aquelas imagens era ampliações mas, né, uma hipocondríaca sempre ignora a obviedade dos fatos.

Bom. Passado algum tempo, minha mãe chegou em casa e eu pude, enfim, partilhar meu problema com alguém que me entenderia. Mas quando arranquei o micropore para mostrar a coisa para ela, a pinta veio junto e, para meu choque total, a pinta tinha patas!!!!

Minha mãe confirmou o que a Loreyne havia dito. "Deixa de ser boba, é carrapato, quantos anos você tem?". Ué, mãe, 27. Mas em todos esses 27 você cuidou tão bem de mim que eu nunca havia visto um carrapato, muito menos pegado um carrapato. Não tinha a menor obrigação de saber isso.

Se você me conhece ou me segue em alguma rede social, provavelmente, já me viu comentar os dois fatos acima pois, compulsiva que sou, já contei o caso do assalto e do carrapato para Deus e o mundo. Só faltava aqui no blog. Então está aí, a versão oficial das duas histórias. Já que agora lancei uma versão pocket, dizendo que peguei carrapato do assaltante ;)