domingo, 7 de novembro de 2010

Contos da Violeta

X - O mar



O mar era imprevisível e porque era imprevisível Violeta o amava. E porque o amava, se entregava ignorando solenemente sua personalidade temperamental, seus monstros, suas revoltas, seus recuos. E nadava. Quase sempre contra a maré. Quase sempre contra sua vontade de repousar em paz sobre águas tranquilas. Mal se recuperava de uma onda e já via um Tsunami se armar diante de si. Nadou enquanto pôde. Enquanto teve pele para se queimar com água viva. Enquanto teve pulmão para aguentar a perda de fôlego. Enquanto teve braços e pernas para lutar contra a correnteza. Pelo mar valia quase tudo. Mas quase também é mais um detalhe. Quando já não restava mais forças, pulmão, pele, braços, pernas e coração, voltou à areia. Inaugurou um período de trégua. Violeta precisava voltar a admirar o mar de fora antes de imergir novamente.