domingo, 21 de novembro de 2010

O roxo

Faz uma semana e um dia que adquiri um hematoma gigantesco na minha perna esquerda. Não se trata de apenas mais um roxo daqueles que aparecem do nada. Primeiro porque não é um roxo como outro qualquer. É o roxo mais roxo que já vi na vida. É o cúmulo da roxice. Segundo porque sei exatamente sua origem: a montanha-russa do Hopi Hari. Mas, claro, passados oito dias é natural que ele esteja clareando. E está mesmo. Dia após dia percebo a mancha desmanchando. O interessante é que, embora eu olhe para o hematoma a cada cinco minutos, só consigo perceber que houve um clareamento considerável de manhã, após ter passado horas domindo e, portanto, sem vigiá-lo. E, de repente, concluo que essa minha maldita vigília é que estraga tudo. Se eu deixasse os hematomas de lado, deixando-os passar naturalmente, sem minha pressão, eles cumpririam sua função na minha pele em muito menos tempo. Preciso aprender a deixar as coisas de lado, cumprindo sozinhas - e naturalmente - seu ciclo de vida. Assim é mais rápido e menos dolorido. Preciso abandonar meus hematomas (os de fora e os de dentro).