terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Os livros

A Arte de Ser Leve (Leila Ferreira)

Como eu comentei aqui no blog, comprei este livro da jornalista Leila Ferreira depois de sair flutando de uma palestra dela que leva o mesmo nome. A escrita e a fala da Leila são muito leves e isso já é meio caminho andado para que o livro cumpra seu objetivo de provocar uma reflexão sobre as cargas pesadas que carregamos inutilmente na vida. Para falar sobre a leveza, Leila também aborda a gentileza, o bom humor, a descomplicação e outros itens que deveriam ser de série mas, hoje em dia, são de luxo. Tudo isso por meio de histórias de vida que a jornalista colheu mundo afora. Muitas histórias, aliás. E aí está a minha única ressalva em relação ao livro. Leila apresenta personagens interessantes demais mas, às vezes, não aprofunda muito neles pois logo adiante tem outro e mais outro. O livro tem muitas fontes - a jornalista sobressaindo a escritora, talvez. De repente, se tivesse um número menor de personagens o livro poderia ficar ainda mais...leve!

No Buraco (Tony Bellotto)

"Capitu traiu ou não traiu Bentinho"? Durante lançamento de seu novo livro, No Buraco, em Belo Horizonte, Tony Bellotto foi confrontado por uma pessoa da plateia com a questão mais famigerada da literatura brasileira. "Traiu, claro que traiu", respondeu o escritor - sim, ali estava o escritor - sem pestanejar. Eu, sinceramente, prefiro não assumir nenhuma opinião com tanta veemência. Opto pelo benefício da dúvida. Também opto pelo benefício da dúvida ao cair na tentação de tentar (pleonasmo?) descobrir se todos aqueles imbróglios vividos pelo narrador-personagem de No Buraco, Teo Zanquis, nos bastidores do rock nacional dos anos 80, são apenas criações da mente fértil de Bellotto ou relatos autobiográficos camuflados pela literatura.... (para ler na íntegra, clique AQUI).


Jardim de Agnes (Carla Dias)

Ganhei este livro da própria autora, que é uma das cronistas do Crônica do Dia. Primeiro, escrevi para agradecê-la por ter me enviado o livro. Depois de ler, escrevi para agradecê-la por tê-lo escrito. Jardim de Agnes conta a história de três amigos que, acusados de um crime que não cometeram, vão tentar recomeçar suas vidas na longínqua Ibidem. Lá eles veem suas vidas irremediavelmente entrelaçadas a de Agnes, especialmente Hugo, que é quem narra a história. Agnes é filha do homem mais poderoso de Ibidem e considerada a louca oficial da cidade. Sua personalidade multifacetada, suas fragilidades e seus sonhos dizem muito sobre essa aventura que é ser humano. O mesmo se pode dizer sobre as angústia de Hugo, que conduzem a história e nos levam - ainda que essa não tenha sido a intenção da autora - a pensar sobre nossas próprias angústias. Li este livro enquanto atravessava mais uma complicada fase da minha vida e foi uma ótima companhia. Regou meu jardim. Recomendo demais. Quem tiver interesse, pode ler mais sobre o livro aqui: http://www.jardimdeagnes.blogspot.com/

N.D.A (Arnaldo Antunes)

Quem conhece minimamente o trabalho de Arnaldo Antunes pode imaginar que seus livros não são como os outros. Não dá para você começar a ler, depois marcar com um marcador de página, continuar no dia seguinte e, assim, sucessivamente até o fim da história. Livros do Arnaldo seguem nenhuma outra lógica. Você pode ler tudo de uma tacada só e, ainda assim, não terá terminado de lê-lo. São palavras para serem colecionadas. Para serem sorteadas. Para serem vistas a qualquer tempo. Sim, porque não se trata apenas de ler o livro. É preciso ver. Pegar. Virar de cabeça pra baixo. Ouvir. Faço questão de ler tudo de Arnaldo em voz alta. São palavras para serem verbalizadas. Um poema lido ganha uma configuração completamente diferente quando dito. Um livro para ficar na cabeceira pra sempre.

Divas Abandonadas (Teté Ribeiro)

Como sugere o subtítulo - "Os amores e os sofrimentos das 7 maiores divas do século XX" - o livro fala sobre as conturbadas vidas sentimentais de Lady Di, Ingrid Bergman, Jackie Kennedy, Sylvia Plath, Maria Callas, Tina Turner e Marilyn Monroe. Gostei muito de ler e saber mais sobre estas mulheres, especialmente sobre a soprano Maria Callas e sobre a poetisa Sylvia Plath, de que eu apenas tinha ouvido falar. Trata-se de um livro bem informativo, mas eu acho que ele poderia ter ganhando um tom mais literário. Possivelmente o que impediu que a autora criasse uma narrativa gostosa foi o fato de ter poucas páginas para cada história mais instigante do que a outra. Mas vale como aperitivo. Estou com muita vontade de ler biografias separadas de cada uma delas.


Próximos: Os Diários de Carrie (Candace Bushnell), Os Estranhos (Carla Dias), Conversa Sobre o Tempo (Zuenir Ventura e Luís Fernando Veríssimo) e Fora de Mim (Martha Medeiros). Pois é, ainda não li o novo da Martha =(