sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ostra


Normalmente, quando venho ao blog, já tenho algo em mente. Não que agora eu não tenha. Pelo contrário. Tenho um milhão de coisas em mente e, talvez, seja isso o que diferencia essa postagem das outras. Faz mais ou menos duas semanas que tenho vindo aqui, com a intenção de escrever e, no fim das contas, acabo desistindo. Eu escrevo para organizar minhas ideias, para me ajudar a entender o que está acontecendo comigo e com os outros. Mas as ideias de agora, que teimosas, não se organizam nem a pau. Só vejo um monte de palavras embaralhadas com um monte de interrogações. Interrogações que perguntam, por exemplo, por que eu tenho me sentido tão deslocada? Não deveria ser normal uma pessoa de 27 anos se sentir deslocada. Isso é coisa de adolescente. Mas não encontro outra palavra que explique melhor meu sentimento de agora. Me sinto deslocada geograficamente por cada vez mais sentir falta de pessoas que não moram aqui em Belo Horizonte e são vitais para mim como o ar que eu respiro. Queria que São Paulo, Fortaleza, Japão, Curitiba e Jacaraípe fossem apartamentos aqui do meu prédio. Porque eu queria poder correr para o colo das minhas meninas toda vez que eu quisesse chorar. E eu não precisaria chorar caso uma das poucas pessoas nesse mundo, que mexeu comigo de verdade, morasse aqui na minha rua, e não a 700 quilômetros de distância de mim. E por que eu não me sentia assim antes se as pessoas sempre estiveram onde elas estão hoje? Porque antes eu me identificava com o cenário que existia aqui e, hoje, não me identifico mais. Eu não desgostei das pessoas, mas saí do contexto. Não me interesso mais por coisas que, antes, me faziam vibrar. Estou exausta de determinados assuntos, de determinadas situações. Não das pessoas, digo e repito. Mas dos fatos. E não há como me afastar dos fatos sem me afastar das pessoas. Me chamem de covarde ou do que quiserem. Sinceramente? Não me importo. A onda de egoísmo me deu uma vontade danada de cuidar de mim. Se não posso me deslocar, como bem entendo, me recolho como ostra. Quem sabe, um dia, não produzo uma pérola?