domingo, 22 de abril de 2012

Coisas da língua


Eu estava num daqueles momento em que a gente encara um ponto fixo para simplesmente pensar em nada. Foi aí que ele me interpelou com essa:

- Que pasa? Pensando en la inmortalidad del cangrejo?
- E desde quando caranguejo é imortal?
- Não sei, é uma expressão para quando a pessoa está...
- Pensando na morte da bezerra!
- Bezerra?
- É...a filha da vaca.
- E essa bezerra morreu?
- É que ela não devia ser imortal como o caranguejo.

E seguimos os dois. Eu pensando na inmortalidad del cangrejo e ele na morte da bezerra. Literalmente. Eu nunca havia pensado sobre isso no sentido literal. A gente aprende a nossa língua e aprende a repetir certas expressões no automático. Então, descobrir a graça de outros idiomas nos faz ver o nosso próprio com um olhar mais atento e curioso. Para quem ficou com a pulga atrás da orelha, como eu, temos explicações para as duas expressões aqui e aqui (Pesquisaremos sobre a pulga atrás da orelha em outra oportunidade. Seria ela mortal ou imortal?).



E tem mais. Outro dia, falava eu sobre qualquer bobagem, quando soltei a expressão "segurar vela". Diante da cara dele de estranheza, tratei de explicar que usávamos o termo para nos referir a alguém que está na companhia de um casal. Ele entendeu perfeitamente e "traduziu". "Ahhh, é como tocar el violin". 

Sério. Eu acho que fiquei rindo desse negócio de "tocar el violin" por uns bons 15 minutos. E nem sei porque achei tanta graça. Porque se você for pensar bem, faz muito mais sentido. Afinal, as velas não precisam ser seguradas por ninguém. Para isso existem os castiçais ou os pires e cinzeiros velhos besuntados de parafina. Já o violino precisa ser tocado por alguém. Parabéns! Ponto para a língua espanhola. Essa eu vou aderir.