quarta-feira, 25 de setembro de 2013

3.0




Hoje é meu aniversário de 30 anos.  Não houve uma transformação incrível de ontem pra hoje e nem acho que tenha sido tão de repente assim.  Os 30 me deram aviso.  Ganhei uns fios de cabelo branco do último ano pra cá, o metabolismo já não é mais o mesmo, o corpo está mais arredondado, desgostei de coisas que faziam meus olhos brilharem, me apaixonei por coisas que antes não me atraíam, me sinto mais paciente, mais tolerante, menos impulsiva, mais ponderada. Pequenas mudanças que foram chegando, não somente pela idade mas por diversos outros fatores, e para as quais eu me abri completamente. Balanceando tudo, o que mudou, o que permaneceu, o que melhorou, o que piorou, o que entrou, o que saiu, o que continuou, o que se interrompeu, concluo que me sinto melhor, muito melhor.

Melhor do que eu estava aos 15? Aos 20? Aos 25? Não. Ali também eu estive bem. Melhor do que eu, aos 15, 20 ou 25 achei que estaria aos 30. Os 30 anos são muito estigmatizados, especialmente para as mulheres.  É como uma idade limite que a sociedade usa para cobrar certas coisas.  E quando eu avistava os 30 de longe, compactuava inconscientemente com essas cobranças. Me perguntava se eu estaria casada, com filhos, ganhando rios de dinheiro, com uma mentalidade completamente diferente. E agora, que eu cheguei aqui, eu vejo que isso não faz o menor sentido. Eu mudei porque estou em processo de evolução como todos aqui na Terra, mas na minha essência eu continuo a mesma. Tanto que, tenho certeza, minhas mudanças foram sentidas no meu íntimo, mas não por quem convive comigo.

Não me sinto obrigada nem pressionada a absolutamente nada porque tenho 30 anos. E eu observo que as meninas da minha geração estão na mesma sintonia que eu. Ainda temos muita coisa pra fazer antes de levar a vida a sério demais e torna-la um grande porre.  Acho que esse estigma da mulher de 30 anos desesperada pra arrumar marido, ou preocupada que ainda não teve filho, ou em constante guerra com a balança, ou doente por conseguir uma promoção no trabalho já era. Tudo isso existe e aos montes, mas não é inerente aos 30 anos. Não me vejo representada pelas caricaturas das trintonas que vejo por aí.  Até porque, acho que as caricaturas andam um tanto ultrapassadas. Vejam essa por exemplo, do site Mulher de Trinta:



Eu adoro Michael Jackson mas, peraí galera, o Thriller foi lançado um ano antes de eu nascer. Quando We Are The World foi gravada eu tinha DOIS anos. E eu nunca fui adolescente que usava ombreira e cabelo repicado. Eu fui adolescente que usava tererê de praia no cabelo, camisa da Pakalolo e ouvia Backstreet Boys. Não estou dizendo que seja pior ou melhor. Apenas diferente.  Essa é a minha geração.

E por falar em geração, acho que essa mudança da “cara da mulher de 30” também tem a ver com a nossa geração anterior. Frequentemente nesse mesmo site Mulher de Trinta, a mãe da mulher de 30 aparece como uma velhinha com cabelos brancos prendidos num coque.  Hello!!! Que ano é hoje? A mulher de 30 de agora além de não ter nada a ver com essas caricaturas têm mães que parecem irmãs. Mulheres entre 50 e 60 anos, lindas e maravilhosas.  

Mãe da tirinha
Minha mãe em foto desse ano

Os tempos mudaram. Os desejos são outros. A ciência está a nosso favor (e a indústria de cosméticos também!). Ter 30 anos deixou de ser um fardo e passou a ser um presente. O bônus da idade continua sendo o mesmo (maturidade, segurança, paciência). Quanto ao ônus, a gente ficou muito mais esperta em driblá-lo.


* Apesar de não parecer eu gosto das tirinhas do site Mulher de Trinta, rio um bocado com algumas delas. Só não curto essas que teriam feito mais sentido no século passado.
** Talvez você esteja se perguntando “ah, mas no filme De Repente 30 tem uma cena clássica com, justamente, a coreografia de Thriller! Pois é, acontece que no ano que vem esse filme completa dez anos. O tempo passa!
*** A propósito, adoro De Repente 30 e já vi tipo mil vezes.