quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O que tem em Belo Horizonte?



Quando percebem que sou brasileira, a primeira coisa que os chilenos me perguntam é: “de que parte do Brasil?”. Eu digo Belo Horizonte e daí, geralmente, é das duas uma: ou eles ignoram a informação por não ter o que dizer e contam que já viajaram/ou gostariam de viajar para Florianópolis ou Búzios, ou perguntam se Belo Horizonte fica perto do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Ok. Não posso ser injusta, neste um ano e meio morando aqui houve uma meia dúzia de bem informados que retrucou o dado perguntando se eu torcia para o Atlético ou para o Cruzeiro (normalmente, fanáticos por futebol que, por conhecerem todas as equipes, conhecem todas as cidades. Depois ainda dizem que futebol não é cultura).

E há ainda alguns poucos que nunca ouviram falar de Belo Horizonte mas, diante da oportunidade, querem saber mais. E aí vem uma outra pergunta recorrente: “O que tem em Belo Horizonte?”. Interrogativa normalmente seguida de outra: “Tem praia?”. Eu digo que não, não tem praia. Mas tem montanhas e na falta do mar é possível apreciar as maravilhosas cachoeiras de cidades vizinhas. Conto que tem minério, mineradoras, dois milhões e meio de pessoas e paro por aí.


Não adianta muito tentar explicar o que realmente tem em Belo Horizonte para quem não tem uma relação sentimental com a cidade. Em Belo Horizonte tem um povo que vai te oferecer ajuda se o pneu do seu carro furar ou se você for roubada. Seja quais forem as circunstâncias. Em Belo Horizonte tem um boteco em cada esquina, prontos para servir quem é de cachaça ou quem é de cerveja gelada (sempre com tira-gosto). Em Belo Horizonte tem pão de queijo em qualquer padaria (e Mate Couro também). Em Belo Horizonte tem gente que sente fripadaná se o termômetro chega aos 20 graus. Em Belo Horizonte tem ruas confusas com retornos que te fazem sair da cidade. Mas tem gente disposta a te ajudar a encontrar o caminho, ainda que com uma explicação mais confusa que o trânsito em si. Em Belo Horizonte tem um céu com um azul que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Uma profusão de cheiros que só existe no Mercado Central. Uma mistura de gente que só de vê na Feira Hippie. Em Belo Horizonte, às seis da manhã, o mundo já está em plena atividade. Em Belo Horizonte tem gente que lava a calçada (ou melhor, lava o passeio) com a mangueira enquanto conversa com o vizinho do lado. Tem mangueira, e jaboticabeira, e goiabeira. Em Belo Horizonte tem canudinho de doce de leite, frango caipira e feijão tropeiro. Em Belo Horizonte, tem gente que olha deslumbrada quando vê um estrangeiro. Em Belo Horizonte tem mineiro, mineirês, Mineirão e Mineirinho. Em Belo Horizonte tem um charme discreto, sossegado e despretensioso. Não é conhecida pelo mundo todo. Mas é inesquecível para quem conhece.

Foto: Osvaldo Castro, um desses forasteiros que se apaixonou.