terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vazio

Não foi um apartamento qualquer. Foi nossa primeira casa. Onde eu fiz as coisas (bem ou mal, mais mal do que bem) do meu jeito. Aprendi a cozinhar, a tirar mofo de parede e que em hipótese alguma é recomendável bater uma calça jeans na máquina com uma chave de fenda no bolso. A chegada foi de expectativa. A saída foi de paradoxo. Cada prato, toalha ou adorno que ia embora me trazia de volta uma lembrança. Quanto mais vazio foi ficando, mais apertada eu me sentia. Antes de fecharmos a porta atrás de nós, veio uma lágrima. E, com ela, um desejo raro. Talvez fosse o caso de deixar um bilhete para os próximos moradores.

"Esperamos que vocês sejam tão felizes aí quanto nós fomos".






(E continuaremos sendo).