terça-feira, 19 de novembro de 2013

A saga das malas - Parte II

Eu sempre acreditei que quando a gente reclama de alguma situação a tendência é só as coisas piorarem. Mas entre acreditar e colocar em prática existe uma diferença abismal. Por isso fiz o post abaixo reclamando da lenga-lenga que foi enviar minhas malas extras de Santiago para Belo Horizonte. O que eu não sabia é que aquilo era só o começo do serviço desqualificado oferecido pela LATAM (nome do grupo pós-fusão LAN + TAM). 

Conforme relatei no testamento abaixo, as malas foram despachadas depois de muita burocracia no dia 31 de outubro, com a promessa de que eu poderia retirá-las em Confins apenas chegasse à cidade, no dia 03 de novembro. Como cheguei no dia 03 depois de meia noite, nem tentei retirar minhas malas pois sabia que o serviço de carga não estaria funcionando. Mas na manhã seguinte, me levantei cedo e me arrumei para ir ao aeroporto. E quem é de BH ou já esteve aqui sabe. Ir ao aeroporto é praticamente fazer uma pequena viagem.

E foi aí que começou a segunda e muito mais estressante parte da saga das malas, que relato em tópicos para não virar o post sem fim que foi o anterior.

1 – Eu já estava decidida a ir a buscar as malas mas, felizmente, tive a ideia de ligar antes, “por si acaso”, como dizem os chilenos. Então informada que as malas ainda estavam em Guarulhos. Ok. Vou amanhã. Pensei, iludida.
2 – Na terça liguei novamente e as malas ainda não haviam chegado. Nem na quarta. Nem na quinta. Nem na sexta. Explicação? “É assim mesmo, moça. Guarulhos é muito complicado, chega coisas pro Brasil inteiro”.
3 – Até então eu vinha falando apenas com funcionários do aeroporto e aceitando as explicações que, afinal de contas, eram plausíveis.
4 – Na segunda-feira 11, o próprio funcionário do terminal de cargas me orientou a falar com a LATAM, uma vez que o caso já demonstrava certa anormalidade. 
5 – Entrei em contato com a TAM e não tive nenhuma resposta. Ninguém sabia explicar.
6 – Por outro lado, meu marido entrou em contato com a LAN Chile que informou que o envio das malas para São Paulo foi feito normalmente. Porém, chegando em São Paulo a TAM PERDEU MEUS DOCUMENTOS.  Se você não tem ideia do que isso significa, leia o post anterior onde narrei o parto que foi conseguir as porcarias dos documentos pra essa gente simplesmente PERDER!!!! Enfim, minhas malas estavam vagando sem identificação.
7 – Na terça-feira liguei para a TAM Cargo em São Paulo, onde conversei com um funcionário chamado Sidney. Muito solicito, ele pediu meu email dizendo que me mandaria uma lista com os documentos que eu deveria encaminhar para eles, para que a situação fosse resolvida. Soletrei o email com carinho, mas não adiantou.
8 – Na quarta-feira comecei a aloprar no Facebook e Twitter. Devido a esse contato pelas redes sociais recebi a ligação de um funcionário que se propôs a ajudar mas 1) meu problema não era do departamento dele. 2) ele SEQUER sabia meu nome. Sério, pra que ligou, gente? Será carência?
9 – Na mesma quarta-feira liguei de volta para o Sidney falando que eu não tinha recebido o tal email. Sugeri que ele me desse o email dele e me falasse por telefone mesmo quais documentos eu deveria enviar. Ele o fez e como eu sei soletrar consegui mandar pro email correto os documentos que eles haviam perdido.
10 – Na quinta- feira ainda não havia tido nenhuma resposta. Liguei de novo pro meu BFF da semana Sidney, mas fui atendida pela sua colega, Nicole. Expliquei toda a minha situação, ao que a esperta me pede para esperar um minuto.

ESSA PARTE MERECE ATENÇÃO ESPECIAL

Até imagino a inteligência pura colocando a mão no bocal do telefone, como se aquilo fosse me causar uma surdez repentina. E então ouvi o seguinte inacreditável diálogo entre ela e o amiguinho Sidney:

-       - Sidney, é a mulher desesperada da mala.
-       - Ah, eu não recebi os documentos dela.
-       - Recebeu sim, tô vendo o email dela aqui. Foi enviado ontem, às 11h.
-       - Ah é.
-       - Então porque você não despachou as malas?
-       - Porque esqueci.
-       - Mas amanhã é feriado, o que eu falo?

-       - Que teve um problema. Vamos enviar segunda-feira.


11 – Preciso nem comentar meu estado de espírito neste momento. Deixei a fofa dar suas desculpas e esclareci que meu nome é Fernanda Pinho e não Mulher Desesperadas da Malas. E que eu não sou surda, claro. Mas, enfim, diante de tanta incompetência só me restou aceitar o fato de que deveria seguir aguardando até a segunda-feira. Ontem, no caso.
12 – Então ontem, logo cedo, Osvaldo recebeu  um email da LAN. Pouco tempo depois, eu recebi outro, dessa vez, da TAM:



13 – O que vocês faria nessa situação? Correriam para o aeroporto, certo? Foi o que eu fiz. Mas nem tão correndo assim. Saímos depois do almoço. Eu, Osvaldo e meu primo Renzo. Minha sensação de alívio era tão grande que eu já tinha perdido a vontade de amarrar os nomes da Nicole e do Sidney na boca de um sapo (de qualquer forma ficará só na vontade porque tenho nojo de sapo).
14 – Chegamos ao aeroporto e nos dirigimos a TAM Cargo. Logo com o primeiro funcionário que conversamos recebi a notícia de que, sério, consigo nem escrever direito: AS MALAS NÃO PODIAM SER RETIRADAS! Pelo que entendi deveriam passar por aduana mais uma vez. Agora eu te pergunto: porque caralhos esse povo que me mandou email não avisou esse DETALHE?
15 – Bom, apenas cruzei os braços, sentei a bunda na cadeira da Infraero e pirracei: não saio daqui sem minhas malas. Os caras perceberam que eu estava disposta a dar show então resolveram se movimentar.  Enquanto isso, recebia conselhos de paz da minha irmã via WhatsApp.



16 – Para resumir, andamos de um lado pra outro, pagamos algumas taxas, esperamos aproximadamente quatro horas, mas ao fim do dia recebi, enfim, as malas.



Queria esclarecer duas coisas. A primeira é que o que me indignou nem tanto foi o atraso das malas. Mas, sim, o desrespeito de TODOS os funcionários LATAM envolvidos no processo. Segundo que minha intenção ao fazer esse relato não é me fazer de vítima, até porque sei bem que as empresas envolvidas provocam transtornos absurdamente maiores que o meu. Tem mala que nunca aparece, animal de estimação que se extravia e nem vou entrar no extremo caso dos acidentes aéreos. Ou seja, o que aconteceu comigo realmente não é nada diante do estrago que uma grande corporação pode fazer. Mas achei importante orientar aos meus amigos caso alguém eventualmente venha a necessitar deste tipo de serviço. Minha orientação é: prepare o espírito, arrume uns mantras fortes, marque uma missa pela sua causa, respira fundo e vai.