segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Decepção não mata, ensina a ser brasileiro



Daí você convence seu marido de que o Brasil é um país bacana pra ter e criar os filhos que vocês desejam e no primeiro mês de vida brasileira já tem que enfiar o rabo entre as pernas com a cara queimando de vergonha. Não que ele tenha jogado alguma coisa na minha cara ou manifestado arrependimento pela mudança. De jeito nenhum. Apesar dos pesares, ele ainda segue em lua de mel com a vida aqui. Eu é que estou absolutamente decepcionada. A sensação que eu tenho - e uma amiga que esteve fora praticamente o mesmo período que eu concorda comigo - é que as coisas pioraram. Pode ser que seja só a perspectiva de quem experimentou viver num lugar onde as coisas funcionam. Onde corporações privadas e públicas trabalham para simplificar sua vida e não complicar.

Complicar é o verbo preferido do Brasil. Impressionante. Desde que cheguei aqui só tive problemas. Teve a saga das malas que vocês acompanharam aqui, o drama do apartamento que não era liberado nem por reza braba, a confusão com a companhia telefônica que não diz que eu não tem crédito (mesmo eu tendo um plano de conta)... e eu sei que é só o começo. Ainda nem comecei outros trâmites legais pelos quais teremos que passar. Já estou preparando o espírito porque sei que vem bomba por aí. Porque mesmo passando por tanto transtorno, continuarei a fazer as coisas da forma correta, e ser correto é pecado mortal por aqui. Experimente fazer tudo certo e você será hostilizado, tratado com desrespeito, ironia e ineficiência. 

Estou exausta e decepcionada. Talvez seja só o cansaço de quem está vivendo uma vida flutuante há mais de um mês, com roupas em malas e sem poder fazer muitos planos. Talvez seja a chateação de ter que ter passado por cima do meu orgulho para conseguir alguns objetivos. Talvez seja a semana da TPM. Talvez seja raiva do computador que nunca deu problema e justo agora resolveu que só faz o que quer. Talvez seja o trabalho dobrado porque a sócia está em merecidas férias. Ou talvez o peso de tudo isso estar acontecendo ao mesmo tempo. Minha vida está de pernas pro ar. E eu, que nunca tive mania de organização, estou quase surtando de vontade de colocar ordem em tudo. De recomeçar meu recomeço no Brasil. De mostrar ao meu marido que eu tinha razão, a vida aqui vale a pena.